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Qual a última moda da moda?

Escrevi esse textão para o Medium da firrRRma e quis dividir com vocês aqui também. Por que abrir a roda nunca é demais, né? 😉

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A moda está no divã. É o fim de uma era. O “mundinho” chegou ao centro de um furacão. Essas são só algumas das previsões (apocalípticas, sim) feitas pelos meus especialistas preferidos da área. Todas as revistas brasileiras de moda fizeram ao menos uma matéria sobre a crise de identidade que o mercado enfrenta nos últimos meses. Porque fato é que nunca tantos estilistas pediram demissão ou foram desligados assim. De marcas gigantes. Ao mesmo tempo. Não temos mais como fugir.

Imagine a cena: o maior estilista brasileiro, reconhecido internacionalmente, se afasta da marca que carrega o seu nome. Parece improvável? Pois aconteceu há pouco mais de um mês. “Moda é feita de sonho e desejo. E alguns sonhos não têm preço”, disse Erika Palomino sobre a falência do sistema atual.

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Depois da saída de Raf Simons da Dior, a guru do jornalismo Suzy Menkes deu o diagnóstico: a moda está quebrando. Vejamos. O cara é um gênio, vivia um momento de glória, chegou ao topo e deixou a maison apenas… porque quis. A vida de um estilista é sempre no limite, do glamour à garagem em looping. Mas inclui tudo, menos tempo. “Eu preciso de mais tempo. Todo mundo hoje na moda precisa de mais tempo”, declarou Alber Elbaz quando saiu da linha de frente da Lanvin depois de — pausa dramática — 14 anos.

Basta olhar com atenção para identificar que os criativos são os que mais sofrem com essa velocidade das coisas. Nem todos aqueles que são emoção e arte conseguem se dar bem com o personagem que precisa estar presente em campanhas publicitárias, aparições, inaugurações de lojas, entrevistas, etc., etc., etc. E vamos além: se pensar em 2016, abril, o mergulho fica ainda mais profundo. Não entendeu? Role qualquer timeline de uma rede social: o público exige que essas vozes estejam na internet.

Twitter, Instagram, Snapchat, Facebook.
Quem compra quer atenção. Conexão. Dar follow.

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Alguns são ainda mais enfáticos ao culparem as redes sociais como responsáveis por esse novo panorama, que, vamos admitir, não agradou a geral. Estamos todos à beira de um colapso nervoso, escreveu a editora Renata Piza. “Desde que as mídias sociais substituíram os jornais, a importância dada ao Instagram ou ao Snapchat extrapolou qualquer limite razoável. A regra é trabalhar 24 por 7, estar disponível, ou melhor, grudado no smartphone postando sem parar. A era do parecer, não do ser. A era dos pixels na tela, não das conversas”.

Calma lá: na vida, quem perde o telhado // em troca, recebe as estrelas, cantaria Tom Zé.

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Inspirar uma nova dinâmica no consumo de moda e questionar o timing dos desfiles pode ser, na verdade, um brand new start. No passado (tão recente quanto ontem, rs), essa relação entre moda e consumo era como um GIF do Boomerang, um filme que começa nas criações, termina nas vendas e repete sem parar. Só que lá na ponta isso não fazia sentido para o espectador consumidor, que é quem paga o ingresso, faz a bilheteria, sustenta a engrenagem. Chegamos ao ponto em que as tendências dos desfiles apareciam primeiro nas fast fashion. Toda uma energia criada para a passarela precisava ser colocada em standby por quem curtiu nos feeds do Instagram. Não é loucura?

Com os desfiles sendo transmitidos em tempo real, a vontade de quem assiste também vira instantânea. São elas, as novas mídias, deixando o “súper na moda” para lá de exposto.

É uma conta que não fecha: se o desfile precisa provocar a reflexão e o desejo, sendo um norte para as vendas, como justificar a distância entre o que é mostrado nas passarelas e o que vai para as araras do consumo? Na cobertura das semanas de moda, esse abismo fica evidente: novembro, 30 graus, sol, pele à mostra. As marcas mostram couro, tons escuros, tecidos para temperaturas negativas. Coloco os pés fora das salas de desfiles, derreto. Pois se nem as estações são mais tão definidas, por que as coleções deveriam ser? Nota: estamos no outono, em abril, e faz quase 35 graus na rua enquanto escrevo este texto.

Segura na minha mão e vem para a primeira verdade: o que funcionava até hoje já era. O segredo está em descobrir como manter o brilho da novidade aceso mesmo com o ~real time, e traduzir isso para lucros. Não tenho todas as respostas e nem achei que encontraria, mas também não posso deixar de perguntar.

“O desfile é 360 graus, atinge a imprensa, o varejo e, através da internet, o consumidor. É uma grande ferramenta de construção da imagem da marca e também provocador de desejo para o consumidor final”, comentou Paulo Borges, fundador e diretor do SPFW.

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Temos. O desfile precisa ser um instrumento para o consumidor final. Escuto nos fones David Bowie com o hino ch-ch-ch-ch-changes // turn and face the strain e penso comigo: é tempo de ligar duas pontas que estavam separadas.

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Os estilistas mais reservados, mesmo talentosos, vão perder espaço, esbravejam por aí. Olha, deixa eu me apresentar: meu nome é Taidje e eu fui a aluna que tinha a certeza das respostas, mas não levantava a mão. Ganhava estrelinha, mas não abria a boca. E algo me diz que uma hora a poeira baixa, e o número de seguidores não fica acima da experiência e do olhar de quem tem sensibilidade e criatividade. Pode ser só uma impressão sem nenhum fundamento? Pode. Mas reservei esse parágrafo para depositar um pouco de fé na humanidade. 😉

Tem também os pregadores da desaceleração. “Viva o escapismo!”, coleções, campanhas, marcas inteiras pelo slow fashion e pelo consumo consciente. Em um dos meus grupos de mulheres no Facebook, mais de 70 meninas comentaram suas escolhas para uma vida mais econômica. Um ponto de atenção: comprar roupas. Armário cápsula, redução de gastos em shoppings e aluguel de peças foram algumas das soluções.

Para a Oficina de Estilo, empresa de consultoria de estilo pessoal, o consumo pode ser substituído por autoestima. “O que há de mais atual na moda do nosso tempo não é material — é imaterial. Criatividade é ativo precioso para quem exercita estilo pessoal (na prática, nas escolhas de todo dia): aparentemente todo tipo de produto já foi inventado e reinventado, o museu de grandes novidades certamente tem representantes nos nossos próprios armários”.

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Outro grupo entra de cabeça no vórtice. A Prada anunciou uma estratégia para os próximos anos com foco na nova geração, no imediatismo e no on-line. A Burberry fez uma “faxina geral” e já neste ano disponibilizou as peças para compra nos dias seguintes à apresentação, tanto nas lojas físicas quanto nas virtuais. Também não fará mais desfiles representando uma estação específica. A semana de Nova York já pensa em mudar totalmente o calendário, mostrando o inverno no inverno e o verão no verão.

Não pense que o Brasil vai ser o último a fazer check-in: o SPFW é a primeira semana de moda a oficializar a aproximação do momento do desfile com o do varejo. A edição deste ano virou apenas SPFW 41, sem Inverno/Verão. Um novo movimento carioca, a Rio Moda Rio, acontecerá entre 14 e 18 de junho também sem estações definidas e alinhada com os lançamentos nas lojas.

E eis que surge uma segunda verdade: não dá para permanecer estático no meio disso. A indústria precisa descobrir a sua luz e a sua verdade para se encontrar.

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Não entendo de exatas, mas sei que na Física a flecha do tempo aponta sempre para o futuro. Quem vai dar a direção são os protagonistas dessa história. E, se a moda é tradutora de comportamentos, fenômeno social e cultural, incitativa, indicativa, sugestiva, como escreveu Gilles Lipovestky em “O Império do Efêmero”, nada mais justo que buscar seu lugar e a sua vez.

De humanas que sou, diria que as bolas de cristal espalhadas por aí sinalizam essa oportunidade para trazer a moda mais para perto, descer do pedestal. Inacessível não é status. Porque a primeira coisa que a consumidora vida real (eu!) pensa ao ler que a Burberry mudou ou que o sistema quebrou é: “E como mexe comigo?”. O famoso E EU COM ISSO?

Talvez seja a hora de os criativos usarem a moda como ferramenta de expressão, de posicionamento e venderem isso com a etiqueta. Como preconizava uma das cabeças da Vogue Americana, Grace Coddington, o vestir de atualmente será de fato “deixar claro para a sociedade quem você é de verdade” — como um tweet.

Com o universo que se abre no on-line, cada vez mais a moda será avaliada antes de ser adotada ou rejeitada. Tenha em mente que 2015 foi o ano em que o mobile ultrapassou o desktop, ou seja, agora isso está na palma da mão, na ponta dos dedos.

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Não sabe por onde começar? Experimente, sendo marca ou consumidor, exercitar na moda sentenças como individualização, adequação e criatividade. Pratique a transgressão, cultive a rebelião, recuse repetições e conceitos cristalizados. E lembre da bandeira levantada pela mestra Regina Guerreiro: é melhor cometer um erro fenomenal do que viver na mesmice universal. A moda é isso. E está mais perto do que muitas mulheres imaginam.

Imagens: FFW, Agência Fotosite e Divulgação.

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A celebração do simples

Antes de começar a ler esse post – que também é um desabafo e uma reflexão individual, atentem para essas duas afirmações que me fizeram empertigar na poltrona.

“Num ato desesperador para ganhar mídia, os fashionistas, bloggers e sei lá de que mais podem ser chamados, esquecem que existe um limite ou deveria haver um bom senso. Moda pode ser uma manifestação de arte. Mas moda mesmo é para vender, para trazer para nossas vidas algo real e palpável. Cores, silhuetas, até atitudes, mas o ‘look at me’ está passando da conta. Depois querem que a gente seja levado a sério. Quando a loucura ultrapassa o entendimento, o jeito é ignorar essas figuras. Elas podem mascarar o que tem de bom acontecendo. E certamente tem. Sempre tem algo de novo, mas fantasias são fantasias e já não são moda. São alegorias humanas.” – Ana Clara Garmendia, jornalista e fotógrafa de moda.

“Me chamem de careta, me rotulem de antiga, mas achei tudo um exagero pouco natural, pouco real, pouco próximo de moda pessoal de verdade (…) Hoje, me perdoem os mais prafrentex, a impressão que tenho é que tudo e todos vivem em torno da expectativa de fazer Anna Dello Russo parecer basiquinha.” – Alessandra Garattoni, dona do blog It Girls.

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O street style em época de desfiles sempre foi o momento mais inspirador da moda, mais efetivo ainda que os looks lá dentro das passarelas. Para mim, o grande calabouço de tendências estava ali, disseminado entre os frequentadores mais bacaninhas do metiê – servindo de know-how e muita inspiração para nossas vidas.

Sempre curti na moda de rua essa capacidade de reinvenção, de alta criatividade, de DNA próprio, de atitude, de não pertencimento a nennum grupo, e sim de instrumento para mostrar ao mundo sua visão de estilo, respeitando suas ideias.

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No entanto, tô um pouco impaciente com alguns exageros, com os “looks-fantasia”, com o distanciamento, com as competições e escolhas nada adaptáveis para a vida real. Por isso, quando li as opiniões de duas profissionais que super admiro, foi quase como um momento catártico meu e um conforto por saber que tem mais gente por aí se dando conta desse surrealismo.

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Eu seeeeeei que aquela meia dúzia de pessoas que frequentam os desfiles possuem um senso estético mais apurado que a maioria mortal, mas só um minuto: criatividade inspiradora não significa apelar para a caricatura. (E não to falando aqui das expressões artísticas que muita gente sabe fazer através da vestimenta, viu? É lindo.)

Eu só acho estranho que uma vez os fotógrafos iam à caça dos looks daquele estilo que fazia suspirar e hoje são os fashionistas que saem à caça dos fotógrafos, numa disputa assutadora para aparecer mais do que o outro em algum site de moda qualquer.

Tenho saudades do chique sem esforço! Será que ser interessante hoje em dia é negar as proporções e fazer misturas que você naturalmente jamais usaria de verdade? Ou então negar o seu senso e sua honestidade para incorporar um personagem distinto de quem você é? Eu fico pensando…

Então, em meio a esse turbilhão, hoje eu quero celebrar nada mais do que o simples, enaltecer a sobriedade, que parecem sim o tom de exclusividade e irreverência em um cenário tão exagerado e cansativo. Que a gente nunca esqueça que a simplicidade é amiga da elegância e que para chamar atenção e ser inspirador não é preciso de muitas alegorias. O que a gente quer é VIDA REAL!

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Burberry Womenswear Autumn/Winter 2014 - Arrivals

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Alguém concorda ou discorda?

Fotos: Stockholm StreetStyle – que ainda é um dos grandes portais desse gênero!

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Então, é Natal!

Meninas, pode soar um pouco clichê o título desse post, mas nada poderia representar melhor o que a gente pensa dessa festa: é o momento do amor como um todo – e que seja feliz quem souber o que é bem! O nosso desejo é que vocês curtam ao lado dos seus queridos, refletindo sobre o ano que passou, sim, mas colocando as energias em transformar os dias que virão nos mais incríveis.

E, aproveitando o clima natalino, queremos fazer um pedido ao Papai Noel – tirado da cartinha escrita pelo psicanalista Contardo Calligaris na sua última coluna: que todos, neste Natal, recebam do ~bom velhinho~ ao menos um presente que não sabiam que eles desejavam. Pode ser uma boa notícia da família, uma mudança no trabalho, uma novidade de amigos, conhecer alguém, ir para um lugar diferente, ter uma boa surpresa, ganhar um presente inesperado escolhido de coração. E que venha o festerêÊêê!

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A programação do blog volta ao normal no dia 06 de janeiro – até lá teremos posts num ritmo mais relax, porque descansar é preciso!

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Refletindo…

Meninas, ando refletindo muito sobre o cenário de blogs no Brasil.

Hoje a opção de canais é tão vasta e a padronização de blogueiras tão forte que ando me perdendo no meio disso tudo. E falo isso não só como leitora de outros blogs, mas como blogueira que vê seu conteúdo perder força em meio a tanto bombardeio de informação (e desinformação).

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A blogosfera anda tão monótona, irreal e cheia de maus exemplos que o único sentimento que me ocorre é o de nostalgia de 2009 e uma pergunta que martela: será que é hora de parar? É fato que a gente evolui, a sociedade impõe novas mudanças, eu mesma tenho novos projetos e perspectivas…Mas que saudade quando dividíamos aquela descoberta de beleza ou achado de moda, quando trocávamos links livres do ar de “concorrência”, quando corríamos atrás da pauta que fazia diferença, quando dávamos nossos truquezinhos de estilo vendo a transformação da leitora, um aprendizado mútuo.

Nós crescemos muito com o Glamour de Garagem. Eu e a Taidje sempre tivemos motivações para fazer diferente, para falar de moda como uma conversa honesta entre amigas reais. Mas hoje a relação é tão diferente, tão menos engajada e desinteressada, que me martela outro questionamento: para quem ando escrevendo tudo que escrevo?

Com a superexposição intensificada pelas redes sociais – instagram e facebook principalmente -, parece que pouco importa hoje o conteúdo de moda em blogs. Quantas pessoas deixaram de acessar seus blogs prediletos? A impressão que dá é que todo mundo já sabe de tudo e a gente só fica reforçando o “mais do mesmo”, sem feedback ou interação.

Afinal, é mais fácil/prático/automático seguir um perfil no instagram e copiar aquela fórmula pronta de look ou ler/refletir/pensar por si sobre uma dica de estilo escrita com pesquisa?

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Se você leu esse post até aqui, me responde uma coisa, porque você acessa o Glamour de Garagem? Vamos conversar sobre tudo isso? Eu vou adorar saber a opinião de quem entra no blog, o comentário sincero que pode sim ser crítica ou reclamação!

Enfim, penso que estamos entrando em um momento de ressignificação. São muitos blogs, muitos canais, mas o que veremos em breve entre os que restarem?