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carta aberta à bahia

Existem duas maneiras de começar essa história:

1: O que se cantarolava lá em casa

Meu pai nasceu na Hulha Negra, interior de Bagé, interior do Rio Grande do Sul. Veja bem, isso não tem nada de Bahia. Mas, tudo que ele tem de simples tem de cultura geral. E por cultura geral digo aquele saber sobre o Brasil – de que ano tal foi a música tal do artista tal e lalarilalari e sair cantarolando entoando as palavras mais bonitas. Ele me buscava no colégio e voltávamos caminhando e cantarolando Dona Ivone Lara. Essa é a memória afetiva mais presente que me vem ao pensamento quando falo “pai”. A ele devo a grande queda pela música brasileira (e, é claro, ao tango argentino) e também a grande cof cof virtuosa e tempestuosa veia socialista. Desde que me conheço por gente ele assoviava pela casa as seguintes notas maestro:

Eaí foi um pouco do pai, um pouco de ler Jorge Amado (começar por Cacau e me acabar copiosamente em lágrimas em Capitães da Areia, deixando sempre um pouco do Amado em mim), um pouco pelo Caê, um pouco pelo Gil, um pouco pela Bethânia, um pouco pelo Tom Zé… EI QUE TERRA ABENÇOADA. Foi desde muito jovem essa queda pela Bahia. Esse amor fatal (alusão ao maravilhoso disco da Gal). 

Vam tabaiá, Recôncavo!

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2: Filha de Iansã

A cultura das religiões africanas me toca tão profundo que seria uma leviandade falar sobre isso como quem sabe alguma coisa. Sei pouquíssimo, quase nada. Dia desses a Winnie (que por vezes escreve por aqui), que é Iyalorixá e minha amiga desde os 15, falou tão bonito e com tanta sabedoria “agora os brancos deram para gostar de Candomblé, acho que saiu na Marie Claire que era uma religião descolada”. Me permito sentir apenas e ainda assim, com respeito. Não faz muito tempo que vim a descobrir que sou filha de Iansã, Orixá da “transmutação das energias impuras”. E esse respeito, interesse, sentir, é uma das possíveis versões para esse encantamento com a Bahia. Quisera ter tempo (e obviamente dinheiro) para uma incursão tipo Marina Abramovic em todos os terreiros do Brasil. Com certeza isso não tem nada de Marie Claire. Tem a ver com fé (Winnie ficaria orgulhosa de mim agora).

Enfim, cheguei à terra abençoada. Baía de Todos os Santos. Tive nesses pouquíssimos dias – alguns de trabalho, alguns de (não muito) sol e acarajé – dicas impecáveis de pessoas incríveis que cruzaram o meu caminho. E, se alguém estiver de malas prontas para Salvador, espero que essas dicas cheguem tão cheias de energia boa como chegaram a mim.

CASINHA ou ONDE FICAR

Sou total adepta do AIRBNB, já aluguei meu apartamento, já aluguei o de muita gente e nunca tive problemas. Minha amiga de lá deu a dica: ficar no Rio Vermelho (que está para Salvador como o Bom Fim está para Porto Alegre) ou Praia do Porto da Barra. No Rio Vermelho não achei nenhum apartamento vago para os dias que precisava, mas dei sorte pois na Praia do Porto da Barra fui recebida por um apartamento anti-golpe:

Até o AIRBNB da Bahia é revolucionário

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Achei o bairro incrível, bom de andar a pé e aquela coisa que me pega pelo braço e me arrasta também conhecido como: duas quadras da praia. O famigerado CHEIRO DE MARESIA que destrói os móveis e os nossos corações.

EXPLOSÃO CULTURAL

Foi um baque. Salvador é uma explosão cultural (e não tem nada a ver com micareta, pessoas jogando capoeira nas ruas, pulseiras do Senhor do Bom Fim – isso até meio que tem – ou coisas que se espera vendo os folhetos da CVC). O que vi foi uma explosão cultural de museus muito bem equipados com aparelhos de altíssima tecnologia, curadorias incríveis, espaços de cafés maravilhosos e um jazz que fiquei de queixo caído. Então, vem comigo que te explico no caminho.

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Espaço Cultural Pierre Verger da Fotografia

A Praia do Porto da Barra tem duas fortalezas. A fortaleza de Santa Maria e São Diogo. As duas foram totalmente revitalizadas e hoje são dois museus lindos. Lindos de doer. Taí uma coisa que funciona: museu na beira da praia. Dá para ler a notícia aqui.
Na fortaleza de Santa Maria fica o espaço Pierre Verger (que já apareceu por aqui no GG). Para quem, assim como eu, tem um certo interesse agudo ao Candomblé é quase como um mergulho profundo em um mundo turvo e poético da obra dele (e alguns outros fotógrafos baianos). Do que mais me abismou: uma sala com projeções das fotos do Pierre Verger retratando as iniciações ao Candomblé. Nessas fotos há uma espécie de sombra que é possível “clicar” indo mais a fundo em outras fotos (antes escondidas). Essas, escondidas, ficam nesse “mundo secreto” pois seriam “segredos” aos não iniciados. Essa “navegação” pelas sombras é hipnótica em uma das interatividades incríveis do museu. Do francês: incrivelé.

pierre

Espaço Carybé das Artes

No forte de São Diogo (não tenho noção de distância, mas é coisa de 3 minutos caminhando, é só atravessar a praia) é o espaço Carybé das Artes. Lindo, novo, interativo, um dos poucos museus que senti uma tinha total preparação para receber crianças (muitas brincadeiras para ir a fundo na obra). Enfim, a construção em si já é uma obra de arte das mais belas. Cada janela da fortaleza pintava um quadro (“impressionista tropicallll allll”). Superbacana.

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Palacete das Artes Rodin Bahia

Museu liiiiiiindo de morrer, um palacete no meio da cidade, um oásis em meio a uma Salvador de prédios mega modernosos, Dubailescos. Foi todo restaurado e adaptado com salas de exposição gigantes. Dei azar que não tinha nenhuma exposição bacanuda. Mas tudo bem, pois só de estar por aquelas bandas já estava valendo. No Museu Rodin tem um café chamado Solar Café (uma das dicas imperdíveis da minha amiga) que é uma gracinha e tem vários sanduíches transados tipo salmão e alguma coisa fina (minha mãe usa o adjetivo transado e para algumas explicações só usando-o mesmo).

rodin

Museu de Arte Moderna

Aqui é que o bicho pega, minha preta. Atenção para janela histórica que o Google nos dá:

“Com uma arquitetura histórica em plena zona urbana, o museu possui casa-grande, capela, fábrica, senzala, aqueduto, chafariz e cais de desembarque. A construção marcou a história cultural baiana e transformou-se em um símbolo de opulência da arquitetura colonial no século XVIII.

No início da década de 60, o prédio foi adaptado para o uso museológico pela arquiteta Lina Bo Bardi. A partir da década de 90, o local foi reestruturado e recebeu novos acréscimos contemporâneos e equipamentos de tecnologia avançada”.

Agora uma imagem que o Google também nos proporciona:

Essas informações e uma exposição cheia de ternura do artista Efrain Almeida. Não conhecia o trabalho do Efrain e fiquei um tanto quanto tocada por tamanho lirismo. A obra dele tem total relação com o espaço que está sendo exposto, ele usa das paredes como suporte da obra (meio reduntante, mas a parede se torna parte do trabalho). Além de toda essa lindeza delicada o museu conta com um acervo super coxudo do modernismo brasileiro tipo tô andando e opa um PORTINARI. E como se já não bastasse tudo isso: muitas janelas com vistas que faziam meu coração criar ranhuras e respirar amiúde. Uma luz natural que deixava a natureza como curadora. E uma utopia que corria pelo ar a cada caminhada cambaleante de toda criança que parava para olhar uma obra. Museu cheio me emociona de uma maneira que vish.

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Ok. Tá de bom tamanho. Mas, aí o sol cai. E começam os primeiros acordes do JAM NO MAM http://www.jamnomam.com.br/. Todo sábado ao cair do sol artistas se juntam para fazer um som no Solar do Unhão (onde fica o museu). O pátio do local fica cheio de gente, gente de todo tipo, de toda idade, muitos bebês de colo se encantando desde cedo por aquele balanço. E lá tive a certeza que se eu parir, minha gente, meu filho vai se criar é nesse tipo de ambiente. E, não que eu já não estivesse apaixonada por Salvador, RETRATO EM BRANCO E PRETO nesse cair de tarde acabou comigo.

 

Bahia, RETRATO EM BRANCO E PRETO no pôr do sol do Museu de Arte Moderna já é sacanagem.

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E não menos importante essa camiseta do baterista:

foratemer

Mercado Modelo até a Fundação Casa de Jorge Amado

Acordei cedinho, fui até o Mercado Modelo comprei colares de búzios que não sou paiaça, camarão que trouxe na mala e uma ou outra coisinha. O Mercado é bem legal, mas um pouco para turista ver (ui, já me sentindo em casa).

mercado

De lá peguei o elevador Lacerda (elevador que une a Cidade Baixa – que me faz lembrar do maravilhoso filme com o Wagner Moura e Alice Braga VIVA O CINEMA NACIONAL aloka – a Cidade Alta) e pá… cheguei no Pelô. E a sensação que dá chegar no Pelô vou dizer que não condiz com o que senti com muita cidade da Europa (ui, viajada). Que todo gringo que estava por ali à minha volta tenha sentido aquela energia que senti. Não sei explicar bem. Mas, é tipo gente que ama muito alguma coisa e não sabe explicar o porquê. É coisa que dá. E muito amor é sempre meio triste. O Pelô é meio triste também. Daí que chorei um pouquinho na Fundação Casa de Jorge Amado (aqui leia-se com a intonação ca-sa-di-jo-ge-a-ma-do na voz do Caê). O museu em si não é assim ó uma coisa bem pensada. Mas para quem é fã tem uma bagagem poética ali.

amado

Também no Pelô visitei uma Igreja chamada Nossa Senhora do Rosário dos Pretos. Criada por uma irmandade de negros escravos (e alforriados) devotos de Nossa Senhora do Rosário. A Igreja é lindíssima, mas a energia do lugar me tomou de assombro. Nos fundos da Igreja há um cemitério de escravos e eles usavam nos cultos muitas das mesmas músicas do Candomblé. Em tempos de intolerância religiosa em que a gente vive dói um pouco saber que é difícil aos olhos do preconceito respeitar e transitar entre diferentes culturas. E é belíssimo ver gente que acreditou que fosse possível (mesmo que no século passado).

Alguns frame-coração do Pelô:

Pelô 2/2

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Pelô 1/2

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O MOMENTO ACARAJÉ:

Estava conversando com um pessoal e o primeiro me disse “come o acarajé da Cira”. O outro disse “come o da Regina”. E outro disse “come o da Nana”. E EU GRITEI GENTE PARA TUDO QUE EU TENHO UMA CANÇÃO MAESTRO:

E neste momento abriu-se um clarão. Enfim, comi o da Regina, no Rio Vermelho. Maravilhoso como tudo que é frito no mundo. Fritura e camarão não tem como dar errado. Uma coisa que eu ignorantemente (que vergonha e me perdoem se é algo já sabido por todos) não sabia é: por ser uma comida de ritual de Iansã é considerado pelas baianas uma comida “sagrada” e só pode ser preparada por filhos de santo. O que dá todo um romantismo para a coisa, né? Não é um vai lá e faz. Enfim, Regina, é a dica que fica.

Dica GLAMOUR (e também Garagem)

A The Finds foi uma dica muito quente. A loja fica no Rio Vermelho e vou tentar explicar em imagens:

Acho que basta, né?

Bahia, que aula de tudo. Hoje, aqui do meu sofá de onde lembro de ti e te jogo esse charme todo vejo que faz sentido Vinicius ter ido e ficado. Não demoro. E se bobear vou e fico.

 

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Um sábado de amor, fossa e arte!

Alô sexta-feira, tem dica de programa nesse sábado (31) para quem é de Porto Alegre! Gosto de coisas feitas com o coração. Isso vale para a moda, aquela sensação de arrepio quando vejo uma roupa na passarela, e também para a música, o cinema, a literatura, o jornalismo, as artes visuais… Iniciativas que toquem, transformem, mexam com as pessoas de alguma forma. Se o ~criador~ coloca sentimento no que faz, é aí que vem o brilho.

Pois a minha amiga Lanna Collares, que é designer visual, usou uma dor de amor como pontapé para um projeto INCRÍVEL. Tudo começou quando a mãe dela (a Anna, pessoa mais doce do mundo) disse que são necessários seis meses, 180 dias, para curar uma fossa. Então a Lanna decidiu fazer um Tumblr, o 180 cartazes pra sair da fossa, e publicou a cada dia um cartaz, usando trechos de músicas que falam sobre dores e amores. Quem nunca passou por uma fossa, né gente? Hahah e por isso o 180 virou sucesso – os cartazes foram replicados por páginas oficiais de gente bacana como Caetano Veloso e Arnaldo Antunes e enfeitam, por exemplo, o quarto da Luiza na novela Em Família! 

Só que a contagem foi até o número 179 e chegou a hora de terminar: amanhã, a partir das 16h, todos os cartazes farão parte de uma exposição e estarão à venda na Mescla (rua Dinarte Ribeiro, 22). E o mais bacana da história toda: a criação do 180º cartaz será coletiva, cada um que passar por lá vai poder deixar a sua intervenção (desenho, frase, música, ditado, o que for!) nele. O lema é: a fossa precisa ser compartilhada para ser curada. Já fiquei a semana inteira pensando no que vou fazer! 🙂 

Mais informações aqui no evento

cartazes_180_

Não vejo a hora de ter o Leãozinho enfeitando a minha parede!!

E vai ter muita gente boa para acompanhar o evento: ‘comidinhas de fossa’ com a Ossi Doce, cerveja artesanal do Mercado Brasco, Go Writers, uma conversa sobre ‘o lado bom da fossa’ e as canções que fazem parte. Vale lembrar que os cartazes viraram camisetas na Vandal – já usei uma no look do dia!

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Mood do fim de semana!

Bom dia, meninas! Finalmente a sexta-feira chegou e com ela as vontades para o finde que vem aí. Como foi uma semana de muito trabalho e correria, acumulei muitas e resolvi juntar para contar nesse post: tem um pouquinho de tudo! Espero que vocês curtam!

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1. Um disco para ouvir: dei mais atenção para a Céu depois de ver o Superbonita especial de São Paulo, em que ela falava sobre a mulher paulistana. Aí corri para baixar alguns álbuns e me encantei pelo show dela cantando “Catch a Fire”, álbum do The Wailers e Bob Marley. Vale muito o play!

2. Um livro para ler: estou em dívida com a tag dos livros do mês aqui no blog, eu sei, mas prometo que vou recuperar em março! Quero começar já o Só garotos da Patti Smith, porque é o livro da vida de várias pessoas que eu curto, e tenho um bom pressentimento sobre meu encontro com ele, hehe 😉

3. Um filme para assistir: quando vi o trailer de Starlet (trailer aqui), já senti que tinha uma vibe que eu gosto: filme independente que fala de sentimentos – meio Sophia Coppola, será? Apesar de ser de 2012, a estreia aqui em Porto Alegre foi hoje – o nome em português é Uma estranha amizade. E tem um chihuahua, adoooro! 

4. Um lugar para visitar: vou para São Paulo no domingo e não posso deixar de ir na exposição do David Bowie, que está rolando no MIS. Não só por ser um dos meus cantores favoritos (ou O TOP), mas por eu admirar o papel dele na música, na moda, ter uma tattoo dedicada, haha, ainn me derreto – e a caneca foi um presente da Lanna, que sabe do meu amor 🙂

5. Um look para usar: só se falou sobre isso na última semana, e não só nas redes sociais: a nova coleção da Farm em parceria com a Adidas é um sucesso. Já tinha falado em casa sobre minha paixão pelas jaquetas e ganhei de presente do namors no dia do lançamento. Nem preciso dizer que morri e quero usar todo dia, né?

6. Um seriado para ver: com a correria, acabei não conseguindo ver a season finale da terceira temporada de Girls (baixo daqui). Já posso adiantar que essa foi a que eu mais curti, porque acho que tanto os dilemas quanto os personagens amadureceram. Preciso terminar e de amanhã não passa!

E vocês, meninas, querem o que para esse finde?

Beijos!

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Leituras de janeiro!

Oioi, meninas! Lembram que eu comentei com vocês, no post sobre resoluções de ano novo, que queria me dedicar a ler mais em 2014? Pois bem, coloquei uma meta bem objetiva na minha vida: preciso terminar ao menos três livros por mês. Claro, existem exceções – quando são muitas páginas esse número pode ser menor, ou o contrário também 🙂

Então decreto aqui o início do meu #projetoleituras, hahahah! E acho que vai ser bacana dividir com vocês o que eu gostei (ou não) desses livros, o que eles têm de melhor e os momentos ideais para ler cada um. Além disso, mesmo que eu leia mais durante o mês, fico com o compromisso de falar sobre três e assim mantenho o foco no projeto. Então vamos às leituras de janeiro:

livros_janeiro

 #1 O Lado Bom da Vida, de Matthew Quick: demorei um tanto para começar – vi o filme (com Bradley Cooper e Jennifer Lawrence ♥♥♥) no ano passado e saí do cinema encantada. A história é do tipo leve que engana: Pat acaba de sair de uma instituição psiquiátrica, sem lembrar do que o fez ir para lá, mas ainda apaixonado pela ex-mulher. Enquanto tenta descobrir o que aconteceu, Pat fica determinado a reorganizar as coisas, tentando com força acreditar no ~lado bom~ da vida.

Quando conhece Tiffany, que também passa por problemas depois de perder o marido, é que o livro engata: eles desenvolvem uma amizade estranha, mas linda. São 250 páginas, mas acreditem: vai rapidinho. Desculpem o clichê, mas a história é perfeita para quem sabe que nem todos os finais são felizes, mas que é importante encontrar um jeito positivo de encarar as coisas. Sabem aqueles livros de levar para a praia num fim de semana mais relax? Então, é um desses 😉 Comprei na Saraiva.

 #2 Ligue os Pontos – Poemas de amor e big bang, de Gregório Duvivier: confesso que não sou muito fã de Porta dos Fundos, mas AMO o humor do Gregório Duvivier – sempre vibro quando o roteiro dos vídeos é dele. E acompanho a coluna da Folha, que tem textos muito bons. Pois nesse livro ele transforma momentos do cotidiano em escrita poética, dividindo em duas partes: “Cartografia afetiva”, em que fala sobre o Rio de Janeiro, e “Aprender a gostar muito”, que é (bem resumidamente) sobre o amor. Também tem na Saraiva.

É cheio de sacadinhas inteligentes, além de espontâneo e engraçado (as vezes quase nonsense) como o autor. Por ter todo esse jogo de palavras, não li tudo de uma vez só: para mim, é o tipo de livro para deixar na mesa da sala e ir aos pouquinhos, curtindo cada linha. Para quem quiser saber mais, recomendo essa entrevista da TPM!

#3 Fim, de Fernanda Torres: para começo de conversa, foi um pouco difícil desapegar da imagem da Fernanda Torres nesse livro. Porque o cenário é supeeeer Rio de Janeiro, eu imaginava ela narrando em vários momentos (#aloka). Mas quando entrei na história, nossa, como foi bom! É o primeiro romance escrito pela atriz, e foca em um grupo de cinco amigos cariocas – todos já no fim da vida, mesmo que em momentos diferentes.

Os capítulos tem eles como tema: Álvaro, o ranzinza, Sílvio, o junkie, Ribeiro, o atleta, Neto, o careta, e Ciro, o Don Juan. Com opiniões e valores que encaixam nesses perfis, os cinco – e as pessoas que fazem parte dos universos deles – lembram de passagens marcantes que viveram juntos. Vale cuidar como são as visões sobre as mesmas situações, e a conexão disso com o fim de cada um. Já aviso: é um pouco pesado, e são muitas referências à própria história, por isso tem que ter atenção! Mesmo que demore um pouco mais, é bom ler calmamente – no meu caso, antes de dormir ou no fim de semana. 

leituras_janeiro_2

[Deixo vocês com meu poema preferido do livro do Gregório! Não é um amor?]