Por

Natural, cacheado e lindo!

Não tenho absolutamente nada, nada contra quem opta por mudar o tipo dos fios. Cacheadas e crespas que deixam de ser, lisas que preferem usar instrumentos para fazer ondas, e etc, temporariamente ou permanentemente, tudo bem, tudo certo. Mas, para mim, existe uma coisa por trás de quem resolve assumir os fios naturais, uma liberdade, uma segurança, um eu quero, eu posso, eu vou. Não é?

Desde o ano passado, tenho reparado em mais meninas que levantam a bandeira dos cabelos naturalmente com cachos, talvez porque a minha textura tenha virado outra coisa a partir do momento em que eu 1. deixei os cabelos compridos, porque fiquei com a raiz lisa e mais ondas na ponta e 2. descolori, porque é mais difícil de ~acomodar~ e eu, que era a pessoa que comprava xampú no mercado, passei a desembolsar um pouco mais em cuidados.

De uns dois anos para cá, me declarei oficialmente cacheada e passei a ter várias minas como inspiração. Vejam quatro delas:

cachos

Essas duas, sério, muito amor! Quando abriu a MAC em Porto Alegre, lembro de conhecer a Fabi com o fios lisiiiinhos, curtiiiiinhos, para o ladiiiiiinho, um look bem formal. E agora, gente, o que é essa mulher? Tombamento! Cabelão, selvagem, volumão, UAU. Adorei quando a Vanessa entrou na onda e também assumiu esse visual wild and free. ♥ Elas fizeram um vídeo no canal Meu Glitter, Minha Vida contando mais:

vanessa-rozan fabi-gomes

Essa última foto me faz querer voltar a ser morena!

carla_lemos

A Carla Lemos, do Modices, já é musa aqui no GG faz um tempinho. Mas desde que ela fez o big chop, que é nada mais é do que cortar toda a parte com química e assumir os fios naturais, ela ficou ainda mais maravilhosa. Sigo e vou atrás de todos os segredos que ela conta para deixar os cachos mais definidos.

ceu-tropix

Outra que me dá vontade de voltar ao castanho: a cantora Céu. Acho lindo como ela consegue manter o volume de um jeito acordei assim, despretensioso, e ao mesmo tempo o cabelo parece sempre muito saudável. É um crespo sem esforço, sabe?

mica-cachos

Não sei se foi ela quem começou toda essa onda dos fios naturais, mas o corte sem dúvida influenciou milhares de cacheadas. E quem disse que não dá para ter franja mesmo com as ondas? A modelo argentina Mica Arganaraz prova por A+B que sim – e não só é possível como fica bonito demais.

E só para relembrar…

>
Já falei em um post sobre o tempo de cachos aqui que, para mim, a embaixadora do curly hair é Carrie Bradshaw, que quebrou a ditadura dos chapados com uma imagem de uma mulher independente e livre. E o melhor é que os cabelos da Sarah Jessica Parker são naturalmente muito cacheados – mesmo com todo um processo de babyliss que faziam para a produção na TV. Em um dos meus episódios preferidos de Sex and the City, Carrie se compara a Katie, personagem de Barbra Streisand no filme The Way We Were – e fala sobre a personalidade forte de minas como elas.

cachos_111

Por

Rio de Janeiro, eu te amo – ou 10 descobertas em 10 dias de férias

A primeira vez que meu coração bateu fora da barriga da minha mãe foi em um hospital no Rio de Janeiro. Pouca gente sabe, não é uma coisa que vai no meu cartão de apresentação – Taidje Gut Teixeira, carioca – mas tenho, sim, muito amor pela cidade em que nasci. E só aumenta a cada ida. Minha família por parte de pai é toda de lá, habitat natural: Ipanema. São duas irmãs-princesas de 16 e cinco anos. Na idade delas, confesso, achava um tanto chato passar meses no Rio durante o recesso escolar, longe “de casa”. Cheguei a ficar uma viagem inteira trocando o dia pela noite para me conectar no tempo da internet a cabo pós meia-noite.

Aí que com 17 anos, formada no ensino fundamental e cheia de novas ideias fritando na cabeça, comecei a olhar para o Rio de um jeito diferente. As calçadas, a praia, as pessoas, o jeito de falar, o caminhar, as cores passaram a me interessar. Descobri que tinha muito do lugar em mim – se mais de 70% do meu corpo é água, o restante deve ser da areia e sol de Ipanema.

Agora tirei duas semanas de férias (perdoem a ausência) e dessa vez enxerguei o Rio como nunca antes: como uma possibilidade. Para viver? Construir? Trabalhar? Morar? Não tenho respostas, mas certamente como um lugar para amar. E divido com vocês 10 coisas sobre esses 10 dias:

#1 Xô, medo de avião!

Tenho pequenos ataques de pânico ao fazer qualquer atividade que possa acabar em desastre seguido de morte. Andar de avião vai para o topo da lista já que pular de para-quedas ou até em brinquedos do parque de diversão podem ser totalmente evitados (por mim, acreditem, podem). Minhas mãos suam, os batimentos aceleram, um horror. O pior: tudo vira motivo para pensar que a tragédia vai acontecer. Ver de novo Os Excêntricos Tenembaums no Netflix e descobrir que o Ben Stiller é viúvo por causa de um acidente aéreo? Um sinal. Ler uma entrevista sobre a fobia de voar? OBVVV que quer dizer. Ouvir um cara cantando em voz alta ♫Ela partiu e nunca mais voltou♪, do Tim Maia, em pleno embarque (história real SURREAL // 10.11.15)? Ok, é o fim. Entra um ~anjinho em cena: Gabriela Duarte no voo, jamais cairá. Ó quantas crianças, nada de ruim vem aí. E assim fico nesse looping.

giphy_margot

Só que chegar no Rio pelo Santos Dumont mudou tudo. De quebra, nessa tarde teve um tiroteio na Linha Vermelha, uma prova de que a vida, minhas amigas, é mesmo uma caixa de papelão com taças de cristal. Pois eis que eu me divido em antes (tipo: sentar no corredor sempre) e depois desse momento mágico (janela, janela, janela!). Querem ver por quê?

IMG_2856

Vi isso e chorei. Me senti parte. Vai entender 😛

#2 Vá pra perto do mar, leve mimos pra sereia ♥

Foi o Otto quem escreveu, mas eu assino embaixo. É dele também outra frase que eu tenho tatuada no peito: o mar pra quem sabe amar. Meia hora dessa vista = mente quieta, espinha ereta, coração tranquilo. Não sou a pessoa mais zen do mundo, mas tenho meus momentos de INHALE//EXHALE, principalmente quando algo ou alguém me tira do sério. Se 2014 foi o meu ano do autoconhecimento, 2015 foi o de trabalhar a espiritualidade. Mas, de verdade, para mim nada tem o efeito de pisar nesse calçadão. Se puder, chegue na cidade e vá respirar um pouco da praia.

IMG_2858

#3 Trilha sonora: Rodrigo Amarante

Como é que um lugar que foi berço desse homem não ia ser inspirador, gente? Essa é a voz que eu escuto em cada calçada do Rio, dobra de esquina, mate natural, biscoito Globo, fresquinho do ar condicionado das lojas batendo nas pernas, galerias de bairro, sucos na rua. Teve show de graça no Parque Lage, um dos meus top 10 lugares no Rio. Não pude ver de pertinho mas deixo essa lembrança linda linda aqui.

amarante1

[a vibe]

Que o erro é onde a sorte está…

[foto da Lanna no Parque Lage]

FullSizeRender (1)

#4 Estar perto não é físico // Ismael Caneppele

Essa coisa de morar longe da família é de enlouquecer o cidadão. Fazia tempo que eu não ia para o Rio ficar com os meus (tiveram as semanas de moda, mas nem dá tempo, né), então quis aproveitar cada pedacinho desse núcleo pequenininho que tem tanto de mim como eu deles. De ser maquiada diariamente pela irmã pequena, maratona de Ru Paul com a adolescente, imersão no armário da madrasta até viagem com o pai a trabalho para Araruama (da série #indiadas): foram dias de amor pleno e da forma mais bonita. Menção honrosa para o sushi do Yosuki em família – delícia em forma de japonês, recomendo super!

IMG_2610

[minha cadeirinha, posto 9, banca da Denise, sempre aqui]

FullSizeRender (2)

#5 Sobre ser carioca

A Tati Bernardi falou sobre os cariocas focando em relacionamentos, mas algumas frases eu levo pra todo lugar: É só criar um pouco mais de intimidade e toda a magia faz sentido. O senso de humor do carioca é uma bênção […] Andar a pé é vida. […] Quando dá onze da noite e eu continuo digitando, meu namorado (que é carioca, óbvio: há dez anos eu só pesco e pago no Rio) inventa alguma letra de música com “sai desse computador, minha flor”. E eu saio. Dane-se. Cariocas nos ensinam o dane-se e isso é apenas a arte mais valiosa da vida.

Tudo isso para dizer que: foram dias libertadores usando Havaianas, shorts e biquini, com as unhas pretas pintadas pela metade dos dedos. Ela é carioca.

#6 A Barão da Torre e o xixi com Caetano

Duas coisas incríveis que precisam ficar registradas para a posteridade, filhos, netos, bisnetos, se a internet não quebrar: a rua Barão da Torre é o point da minha família carioca. Eis que no meio de Ipanema abro uma revista e vejo essa foto:

tumblr_mnos2978uB1rnnvgqo1_1280

A legenda dizia mais ou menos assim: Rubem Braga and amigos [Chico Buarque, Fernando Sabino, Vinicius de Morais, Sérgio Porto, Carlinhos de Oliveira e Paulo Mendes Campos] por Paulo Garcez n’O Pasquim. A cobertura do escritor ficava na rua Barão da Torre.

E eu ali. Dei um gritinho. Soube mais:

tom-at-barc3a3o-da-torre

Era também a rua de Tom Jobim – e a filha dele foi paquerinha de infância do meu pai.

Sobre o xixi do Caetano… Bem, é só um causo contado pelo meu pai de uma ida ao banheiro do Porcão. No mictório, ele olhou para o lado e deu de cara com quem?

#7 Sabadá = praia + fexxxta

As meninas do ~meu bonde~ aproveitaram o fim de semana para a primeira viagem do verão 2016. Resultado: um sábado de 10 horas seguidas curtindo a praia. E está enganado quem pensa que cansamos.

IMG_2191

11371278_571254976346435_1764879535_n

Tenho dois amigos da vida morando no Rio que deram a boa da noite: PREPARA EGYTO, do coletivo e bloco de Carnaval Viemos do Egyto que aconteceu no Galpão da Ação da Cidadania. Quem procura diversão e dançar até o chão com mistura de funk, axé, eletrônica, pop, indie, vai curtir. Já que as nossas fotos da festa NÃO FICARAM ÓTIMAS, vejam só um teaser do que rolou nessa festa muy louca:

egyto1

#8 Leve a cidade para onde for

Adoro o jeito e a atitude das mulheres cariocas. É tudo tão despretensioso, simples, leve. Até o sotaque traz uma despreocupação. Ou, melhor, um saber levar. Pode ser tudo impressão de turista, mas quis pegar um pouco disso para mim. Não só esteticamente: além das roupas, dos cabelos, dos acessórios, uma maneira mais fluida de se relacionar. Deve ter a ver com o item #2 e com respirar perto da praia, mas, quem sabe aqui em Porto Alegre essa lógica não pode ser aplicada, né? Esse item é com três cariocas que, mesmo não conhecendo pessoalmente, sou super fã e sigo nas redes sociais:

IMG_7755

Já falei mil vezes sobre a Carla Lemos, mas ela não poderia ficar de fora de um post sobre o Rio de Janeiro. Além de o Modices ser um dos poucos blogs que eu ainda leio, com posts cada vez mais baseados em consumo consciente, o estilo dela é muito inspirador. E carioquíííssima! Foto: Zamith para I Hate Flash.

looks-cariocas-8511

A Carolina Delgado é antropóloga, comecei a seguir por causa do Cantando Coisas de Amor e fiquei encantada. Todo o post dela me bate de uma maneira que nem sei explicar. Impacto, de verdade, de coração. Quer começar por um muito foda? Clica aqui. Foto: Modices

carol-alt

Adicionei a Carol Althaller pelos amigos em comum, ela é cool hunter e gostei muito do que falou (entrevistada pela Zero Hora) quando veio para dar um curso em Porto Alegre, em abril, apostando na força da espiritualidade em 2015:

“Acredito que as pessoas tenham cada vez menos religiões, mas que cada vez mais acreditem no bem-estar pessoal. Essa crença é em um nível mais energético, já que estamos na busca por uma conexão espiritual ainda maior através do misticismo, das nossas raízes, de acreditar em coisas mais fortes para sustentar o futuro. Já existe até aplicativo para meditação, sabe?” Para conquistar o seu well being, Carol mergulha no mar, medita ou alinha os pensamentos olhando para o Cristo Redentor, vista da morada da carioca, além de curtir a filha, Mia.

#9 Crie na areia 

Foi a primeira vez que o projeto Baioque 1+1+1 (eu, Fernanda Ferrão e Lanna Collares) deu as caras no mundo. E da melhor maneira possível: na praia de Ipanema. Não posso abrir muito ainda, mas vou contar os detalhes em breve aqui no GG. Mal saiu do papel e eu já amo demais. Um projeto feito por corações intranquilos para corações intranquilos.

IMG_2205

baioque111

#10 Até daqui a pouquinho, volto logo

E foi bom. 10 dias de um carinho que quero tatuar em mim. Para não deixar de citar Matilde Campilho, poeta portuguesa que também é apaixonada pelo Rio e Ipanema e de quem sou fã, divagando sobre a saudade no Sangue Latino:

Mas com o tempo […] eu fui sossegando um pouquinho nessa coisa da saudade. Eu tento transformar. Há coisas que eu amo muito e gente que eu amo muito que está longe, seja porque há uma cena entre nós, seja porque a vida não permite. […] A saudade pode doer tanto que eu me cansei um pouquinho dela. Eu passei a fazer uso dessa tal da imaginação, do desejo, e transformá-la. 

Do livro Jóquei:

IMG_2869

[meu rosto não se transformava, mas a paisagem sim]

IMG_2873

O poema Tenho planos para uma confissão termina assim:

E, como disse o santo da fotografia, na verdade fui feliz.

FullSizeRender (4)

FullSizeRender

Sem dúvidas, sem dúvidas. 😉