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Aqui é Brasil, tropical-latino-americano

Ontem estava eu acompanhando Messi perder o pênalti e em um ato de micro tédio fui dar uma rolada nos feeds das redes sociais. Me senti um pouco entristecida pelo fato de estar POR FORA do tão recorrente assunto dos domingos. Nos compartilhamentos, imagens escuras pessoas um tanto quanto embranquecidas clima dark dragões e uma imensa vontade minha de perguntar: SOBRE O QUE VOCÊS ESTÃO FALANDO?

Nada contra Game of Thrones (tenho até alguns amigos que são). Mas me subiu uma vontade súbita de fazer uma listinha sobre o território que me diz respeito: EL BRASIIIIILLLL. Que coisa linda tudo que fala a língua portuguesa (filme, livro, música) essa tropicalidade esse verão esse gosto de jenipapo meu sinhô.

E pra quem gritou pelas redes: “o que farei até o ano que vem?”, “o que vou fazer da minha vida?”, “acho que vou vou morrer esperando a nova temporada”. Eis o elixir: quem sabe desfrutar de uma produção audiovisual brasileira? Velha, nova, o que for.

O samba agora é sem medida, vem comigo nesse mundo das séries brasileiras:

Capitu

Fica um pouco feio começar pela série do livro preferido da minha vida (ou é Budapeste, não sei). Mas Capitu bateu em mim como a primeira vez que vi o mar (não lembro quando foi, mas deve ter batido assim). Dai-me uma comparação poética para Capitu. Não me acode imagem capaz de dizer do que foi e me fez. Foi aí que me apaixonei pelo Melamed e pelo Luiz Fernando Carvalho (tem um post sobre ele aqui no Glamour). A produção, a direção de arte do Raiumundo Rodriguez, a trilha sonora (ai essa canção do Beirut), o cenário (foi gravada todinha dentro de um mesmo salão no centro do Rio de Janeiro). Vale cada lágrima. Tem completa no Youtube:

Alice

De 2008, PORÉM, essa trilha sonora me quebra até em 2016. Foi aqui que conheci o Instituto e o 3naMassa. Muito incrível ver São Paulo desconstruída e a Andréia Horta tá simplesmente maravilhosa, prefiro não falar sobre o Du Moscovis.

Tem completa no YouTube:

Filhos do Carnaval

É de 2006, fala sobre esse mundo dos bicheiros, sobre o Carnaval carioca, tem morte, tem amor e tem SAMBA NO PÉ. Passava na HBO e tinha só gente boa.

Tem completa no YouTube:

Da Amor

É uma dessas séries que fala sobre o amor nos tempos digitais (e com uma trilha do Marcelo Camelo fica difícil não se apaixonar). É bom porque dá na nossa cara todo esse momento líquido que temos vivido, a Lulu (Maria Flor maravilhosa que saiu pelas ruas pela democracia tempos atrás) é uma artista plástica que mora no Rio de Janeiro e fala sobre essas relações amigos/trabalho/largar tudo para viver um amor em Berlim. Essas coisas todas. É fofita!

Tem completa no site do Multishow.

Afinal o que Querem as Mulheres?

Taí uma receitinha que deu certa: Melamed + Luiz Fernando Carvalho. É meio que aquela certeza de que um filme do Wes Anderson vai ser esteticamente lindo. Talvez o Luiz Fernando Carvalho seja o nosso Wes Anderson. OU MELHOR. Wes Anderson é o Luiz Fernando Carvalho deles. O André (Melamed) é um estudante de psicologia que começa a estudar o que AS MULHERES QUEREM. Incrível.

Tem completa no Youtube:

Latitudes

Pega essa frase: “esse é um daqueles momentos que você não sabe se o cara é intenso porque é charmoso ou se é intenso porque é maluco”. Tudo que vem da família Braga vem bem (vide a maravilhosa Sônia na premiação de Cannes).

Desculpem a janela política. Nessa série (primeiro projeto TRANSMÍDIA do nosso Brasilzão) a Alice Braga vive uma editora de moda que se apaixona por um cara (Daniel de Oliveira), eles se encontram em diferentes lugares do mundo em uma pegação louca e sentimental. Meio nos extremos dos sentimentos. Uma coisa meio enlouquecedora. Mega produção que vale a pena pelo todo.

Tem completa no canal deles:

Amores Roubados

Preferi me abster de imagens, trailers e deixar só o link da CANÇÃO TEMA desta maravilhosa série CALIENTE. Se passar pela sua cabeça ver uma série que contenha as tags AMOR BANDIDO + Cauã Reymond + sertão + pegação = aqui é o seu lugar. É o que eu acho de AMOR BRASIL SUADO.

O Canto da Sereia

Nunca foi segredo o meu total e indescritível amor à Bahia. Se pudesse largaria tudo e me entregaria aquele lugar maravilhoso. Talvez por isso que O Canto da Sereia tenha batido forte em mim, remete à cultura Baiana, fala sobre Orixás, tem amor bandido, tem até uma música tema do MORENO VELOSO (veja só, nosso muso). Não achei completa no YouTube, mas tem o box para comprar e vos digo: vale cada centavo, ôxi.

Mandrake

Marcos Palmeira: um homem que além de tudo PLANTA ORGÂNICOS. Vi essa série em 2005 (eikivelhice), mas existe a possibilidade de achar alguns episódios inteiros no Youtube. Vale a pena por tudo e por ver o Miele. A série é a adaptação de três livros do Rubem Fonseca e tem toda uma malemolência Rio de Janeiro, crimes, amor-brasil-suado. Vale!

Se ver, se gostar, se interessar as trilhas sonoras (também trabalhamos com essa espécie de link) prende o grito! 🙂

Séries enviadas pelo povo (voz de Deus):

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Lili, a EX

O Negócio

Oscar Freire 279

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Música brasileira para alinhar a vibe: tombamento

A imagem não bate com o som? AINDA BEM. Achei que o GG não poderia deixar de ter um espaço dedicado a indicar estes três musos da nova música brasileira:

Jaloo, Liniker e Johnny Hooker.

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Estilos bem particulares e o que têm em comum é justamente essa “imagem que faz questionar”. Se depois de olhar, ouvir, seguir com alguma estranheza, recomendamos uma booooa reflexão. Se não, ai sim tá tudo certo e só dar o play. No último final de semana, rolou o Vento Festival em Ilhabela (SP). O festival teve um lineup de chorar de tão bom e celebrou a nova música popular brasileira que, graças a Dios, tem levantado questionamentos e bandeiras sobre sexualidade, gênero, racismo e todo preconceito.

O que vão dizer de nós?

Uma foto publicada por Johnny Hooker (@hookerjohnny) em

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Jaloo tem um ímã. Para mim, ele tem um canto de sereia, uma coisa que hipnotiza.

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Jaime Melo tem 28 anos, veio do Pará, faz as vezes de modelo, é tímido e contou em entrevista ao HuffPost Brasil que acabou aprendendo a cantar para acompanhar as batidas que já fazia. Nos dois show que fui, encontrei um Jaloo calmo, com looks e apresentações marcantes e acompanhado por duas bailarinas. Os clipes do artista e os remixes que circulam por aí (como do BossInDrama) merecem o seu tempo. Uma amiga diz que “o som dele não é fácil de consumir”. E talvez não seja mesmo, mas eu prefiro classificar como “música para dançar e sentir de olhos fechados”.
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Buena onda e lacração! Para mim, isso resume o fenômeno Liniker.

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No dia 15 de outubro de 2015, o canal Liniker fazia o upload do EP Cru. Três músicas em três vídeos gravados em casa, em uma sala de estar, para passar exatamente a vibe dos músicos, contou Liniker, que comanda sua trupe de companheiros Os Caramelows com turbante, saia longa, argolas, colares, brincos, delineador, batom e bigode. Sim, bigode e uma voz grave que canta: “deixa eu bagunçar você” com uma potência incrível! Hoje, o vídeo tem mais de 3 milhões de views e o cantor contou em mais de uma entrevista que foi surpreendido pela aceitação e sucesso. O show? Você não para um minuto mesmo que não conheça todo o repertório, Zero é cantada a plenos pulmões por todos e ainda tem o momento ‘culto’ quando Liniker e as cantoras que o acompanham fazem um verdadeiro louvor ao lacre, ao poder, ao glitter. Dá uma esperança saber que Liniker faz tanto sucesso e, por onde vai, diz que é “bicha e preta”. O cantor lançou um projeto no Catarse para financiar o disco Remonta e você pode ajudar aqui.
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“Esse é pra sangrar!”, me disse a Taidje quando perguntei qual o clima do show do pernambucano Johnny Hooker.

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E é a melhor definição. Nem sei se podemos chamar apenas de cantor um cara de 28 anos que é também compositor, roteirista, ator e faz performances inesquecíveis. Johnny tem um timbre rasgado, com sotaque, que marca e canta coisas como “eu vou chamar Iansã, Ogum e Oxalá, vou fazer uma macumba pra te amarrar, maldito!” ou, ainda, “volta, que eu perdoo teus caminhos, teus vícios, que eu volto até o início, te carregando mais uma vez de volta do bar” e mais “fiz da noite a minha morada, mil homens amei, bebi a madrugada, até você retornar com os olhos cheios de mágoas e o seu clamor”. O clipes também são sempre uma obra à parte e contam histórias de amores latinos, sofridos, barrocos, dramáticos. Que tal começar a assistir os seis minutos de “Amor Marginal”?
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Além de produzirem arte de qualidade com sons, batidas, shows, vídeos, poesias, eles e outros como As Bahias e a Cozinha Mineira, Filipe Catto, Rico Dalassam estão:

redefinindo padrões, quebrando com os que existem, rompendo barreiras do preconceito, fazendo todo mundo se questionar e evoluir através da arte. Leia aqui um texto sobre a Geração Tombamento.

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Para finalizar, o recado de Jaloo sobre o que realmente importa nesta vida:

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Natural, cacheado e lindo!

Não tenho absolutamente nada, nada contra quem opta por mudar o tipo dos fios. Cacheadas e crespas que deixam de ser, lisas que preferem usar instrumentos para fazer ondas, e etc, temporariamente ou permanentemente, tudo bem, tudo certo. Mas, para mim, existe uma coisa por trás de quem resolve assumir os fios naturais, uma liberdade, uma segurança, um eu quero, eu posso, eu vou. Não é?

Desde o ano passado, tenho reparado em mais meninas que levantam a bandeira dos cabelos naturalmente com cachos, talvez porque a minha textura tenha virado outra coisa a partir do momento em que eu 1. deixei os cabelos compridos, porque fiquei com a raiz lisa e mais ondas na ponta e 2. descolori, porque é mais difícil de ~acomodar~ e eu, que era a pessoa que comprava xampú no mercado, passei a desembolsar um pouco mais em cuidados.

De uns dois anos para cá, me declarei oficialmente cacheada e passei a ter várias minas como inspiração. Vejam quatro delas:

cachos

Essas duas, sério, muito amor! Quando abriu a MAC em Porto Alegre, lembro de conhecer a Fabi com o fios lisiiiinhos, curtiiiiinhos, para o ladiiiiiinho, um look bem formal. E agora, gente, o que é essa mulher? Tombamento! Cabelão, selvagem, volumão, UAU. Adorei quando a Vanessa entrou na onda e também assumiu esse visual wild and free. ♥ Elas fizeram um vídeo no canal Meu Glitter, Minha Vida contando mais:

vanessa-rozan fabi-gomes

Essa última foto me faz querer voltar a ser morena!

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A Carla Lemos, do Modices, já é musa aqui no GG faz um tempinho. Mas desde que ela fez o big chop, que é nada mais é do que cortar toda a parte com química e assumir os fios naturais, ela ficou ainda mais maravilhosa. Sigo e vou atrás de todos os segredos que ela conta para deixar os cachos mais definidos.

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Outra que me dá vontade de voltar ao castanho: a cantora Céu. Acho lindo como ela consegue manter o volume de um jeito acordei assim, despretensioso, e ao mesmo tempo o cabelo parece sempre muito saudável. É um crespo sem esforço, sabe?

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Não sei se foi ela quem começou toda essa onda dos fios naturais, mas o corte sem dúvida influenciou milhares de cacheadas. E quem disse que não dá para ter franja mesmo com as ondas? A modelo argentina Mica Arganaraz prova por A+B que sim – e não só é possível como fica bonito demais.

E só para relembrar…

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Já falei em um post sobre o tempo de cachos aqui que, para mim, a embaixadora do curly hair é Carrie Bradshaw, que quebrou a ditadura dos chapados com uma imagem de uma mulher independente e livre. E o melhor é que os cabelos da Sarah Jessica Parker são naturalmente muito cacheados – mesmo com todo um processo de babyliss que faziam para a produção na TV. Em um dos meus episódios preferidos de Sex and the City, Carrie se compara a Katie, personagem de Barbra Streisand no filme The Way We Were – e fala sobre a personalidade forte de minas como elas.

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Por Todas Elas

Um trabalho feito de coração por mulheres e para mulheres já ganha todo o nosso amor. Quando carrega uma verdade, um espírito de irmandade e cuidado com todas nós, ainda mais. E se tem minas que a gente morre de orgulho no meio, é o coração explodindo querendo divulgar por todos os lados.

A zine Por Todas Elas é um trabalho colaborativo e coletivo.

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Feito pelas nossas amigas Ana Paula Peroni e Vika Schmitz, com outras meninas incríveis, o projeto surgiu como material de distribuição para os atos contra a cultura do estupro e contra violência à mulher.

Para imprimir e distribuir! ♥

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Especificações: zine A4, P&B e com uma dobra.

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