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carta aberta à bahia

Existem duas maneiras de começar essa história:

1: O que se cantarolava lá em casa

Meu pai nasceu na Hulha Negra, interior de Bagé, interior do Rio Grande do Sul. Veja bem, isso não tem nada de Bahia. Mas, tudo que ele tem de simples tem de cultura geral. E por cultura geral digo aquele saber sobre o Brasil – de que ano tal foi a música tal do artista tal e lalarilalari e sair cantarolando entoando as palavras mais bonitas. Ele me buscava no colégio e voltávamos caminhando e cantarolando Dona Ivone Lara. Essa é a memória afetiva mais presente que me vem ao pensamento quando falo “pai”. A ele devo a grande queda pela música brasileira (e, é claro, ao tango argentino) e também a grande cof cof virtuosa e tempestuosa veia socialista. Desde que me conheço por gente ele assoviava pela casa as seguintes notas maestro:

Eaí foi um pouco do pai, um pouco de ler Jorge Amado (começar por Cacau e me acabar copiosamente em lágrimas em Capitães da Areia, deixando sempre um pouco do Amado em mim), um pouco pelo Caê, um pouco pelo Gil, um pouco pela Bethânia, um pouco pelo Tom Zé… EI QUE TERRA ABENÇOADA. Foi desde muito jovem essa queda pela Bahia. Esse amor fatal (alusão ao maravilhoso disco da Gal). 

Vam tabaiá, Recôncavo!

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2: Filha de Iansã

A cultura das religiões africanas me toca tão profundo que seria uma leviandade falar sobre isso como quem sabe alguma coisa. Sei pouquíssimo, quase nada. Dia desses a Winnie (que por vezes escreve por aqui), que é Iyalorixá e minha amiga desde os 15, falou tão bonito e com tanta sabedoria “agora os brancos deram para gostar de Candomblé, acho que saiu na Marie Claire que era uma religião descolada”. Me permito sentir apenas e ainda assim, com respeito. Não faz muito tempo que vim a descobrir que sou filha de Iansã, Orixá da “transmutação das energias impuras”. E esse respeito, interesse, sentir, é uma das possíveis versões para esse encantamento com a Bahia. Quisera ter tempo (e obviamente dinheiro) para uma incursão tipo Marina Abramovic em todos os terreiros do Brasil. Com certeza isso não tem nada de Marie Claire. Tem a ver com fé (Winnie ficaria orgulhosa de mim agora).

Enfim, cheguei à terra abençoada. Baía de Todos os Santos. Tive nesses pouquíssimos dias – alguns de trabalho, alguns de (não muito) sol e acarajé – dicas impecáveis de pessoas incríveis que cruzaram o meu caminho. E, se alguém estiver de malas prontas para Salvador, espero que essas dicas cheguem tão cheias de energia boa como chegaram a mim.

CASINHA ou ONDE FICAR

Sou total adepta do AIRBNB, já aluguei meu apartamento, já aluguei o de muita gente e nunca tive problemas. Minha amiga de lá deu a dica: ficar no Rio Vermelho (que está para Salvador como o Bom Fim está para Porto Alegre) ou Praia do Porto da Barra. No Rio Vermelho não achei nenhum apartamento vago para os dias que precisava, mas dei sorte pois na Praia do Porto da Barra fui recebida por um apartamento anti-golpe:

Até o AIRBNB da Bahia é revolucionário

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Achei o bairro incrível, bom de andar a pé e aquela coisa que me pega pelo braço e me arrasta também conhecido como: duas quadras da praia. O famigerado CHEIRO DE MARESIA que destrói os móveis e os nossos corações.

EXPLOSÃO CULTURAL

Foi um baque. Salvador é uma explosão cultural (e não tem nada a ver com micareta, pessoas jogando capoeira nas ruas, pulseiras do Senhor do Bom Fim – isso até meio que tem – ou coisas que se espera vendo os folhetos da CVC). O que vi foi uma explosão cultural de museus muito bem equipados com aparelhos de altíssima tecnologia, curadorias incríveis, espaços de cafés maravilhosos e um jazz que fiquei de queixo caído. Então, vem comigo que te explico no caminho.

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Espaço Cultural Pierre Verger da Fotografia

A Praia do Porto da Barra tem duas fortalezas. A fortaleza de Santa Maria e São Diogo. As duas foram totalmente revitalizadas e hoje são dois museus lindos. Lindos de doer. Taí uma coisa que funciona: museu na beira da praia. Dá para ler a notícia aqui.
Na fortaleza de Santa Maria fica o espaço Pierre Verger (que já apareceu por aqui no GG). Para quem, assim como eu, tem um certo interesse agudo ao Candomblé é quase como um mergulho profundo em um mundo turvo e poético da obra dele (e alguns outros fotógrafos baianos). Do que mais me abismou: uma sala com projeções das fotos do Pierre Verger retratando as iniciações ao Candomblé. Nessas fotos há uma espécie de sombra que é possível “clicar” indo mais a fundo em outras fotos (antes escondidas). Essas, escondidas, ficam nesse “mundo secreto” pois seriam “segredos” aos não iniciados. Essa “navegação” pelas sombras é hipnótica em uma das interatividades incríveis do museu. Do francês: incrivelé.

pierre

Espaço Carybé das Artes

No forte de São Diogo (não tenho noção de distância, mas é coisa de 3 minutos caminhando, é só atravessar a praia) é o espaço Carybé das Artes. Lindo, novo, interativo, um dos poucos museus que senti uma tinha total preparação para receber crianças (muitas brincadeiras para ir a fundo na obra). Enfim, a construção em si já é uma obra de arte das mais belas. Cada janela da fortaleza pintava um quadro (“impressionista tropicallll allll”). Superbacana.

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Palacete das Artes Rodin Bahia

Museu liiiiiiindo de morrer, um palacete no meio da cidade, um oásis em meio a uma Salvador de prédios mega modernosos, Dubailescos. Foi todo restaurado e adaptado com salas de exposição gigantes. Dei azar que não tinha nenhuma exposição bacanuda. Mas tudo bem, pois só de estar por aquelas bandas já estava valendo. No Museu Rodin tem um café chamado Solar Café (uma das dicas imperdíveis da minha amiga) que é uma gracinha e tem vários sanduíches transados tipo salmão e alguma coisa fina (minha mãe usa o adjetivo transado e para algumas explicações só usando-o mesmo).

rodin

Museu de Arte Moderna

Aqui é que o bicho pega, minha preta. Atenção para janela histórica que o Google nos dá:

“Com uma arquitetura histórica em plena zona urbana, o museu possui casa-grande, capela, fábrica, senzala, aqueduto, chafariz e cais de desembarque. A construção marcou a história cultural baiana e transformou-se em um símbolo de opulência da arquitetura colonial no século XVIII.

No início da década de 60, o prédio foi adaptado para o uso museológico pela arquiteta Lina Bo Bardi. A partir da década de 90, o local foi reestruturado e recebeu novos acréscimos contemporâneos e equipamentos de tecnologia avançada”.

Agora uma imagem que o Google também nos proporciona:

Essas informações e uma exposição cheia de ternura do artista Efrain Almeida. Não conhecia o trabalho do Efrain e fiquei um tanto quanto tocada por tamanho lirismo. A obra dele tem total relação com o espaço que está sendo exposto, ele usa das paredes como suporte da obra (meio reduntante, mas a parede se torna parte do trabalho). Além de toda essa lindeza delicada o museu conta com um acervo super coxudo do modernismo brasileiro tipo tô andando e opa um PORTINARI. E como se já não bastasse tudo isso: muitas janelas com vistas que faziam meu coração criar ranhuras e respirar amiúde. Uma luz natural que deixava a natureza como curadora. E uma utopia que corria pelo ar a cada caminhada cambaleante de toda criança que parava para olhar uma obra. Museu cheio me emociona de uma maneira que vish.

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Ok. Tá de bom tamanho. Mas, aí o sol cai. E começam os primeiros acordes do JAM NO MAM http://www.jamnomam.com.br/. Todo sábado ao cair do sol artistas se juntam para fazer um som no Solar do Unhão (onde fica o museu). O pátio do local fica cheio de gente, gente de todo tipo, de toda idade, muitos bebês de colo se encantando desde cedo por aquele balanço. E lá tive a certeza que se eu parir, minha gente, meu filho vai se criar é nesse tipo de ambiente. E, não que eu já não estivesse apaixonada por Salvador, RETRATO EM BRANCO E PRETO nesse cair de tarde acabou comigo.

 

Bahia, RETRATO EM BRANCO E PRETO no pôr do sol do Museu de Arte Moderna já é sacanagem.

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E não menos importante essa camiseta do baterista:

foratemer

Mercado Modelo até a Fundação Casa de Jorge Amado

Acordei cedinho, fui até o Mercado Modelo comprei colares de búzios que não sou paiaça, camarão que trouxe na mala e uma ou outra coisinha. O Mercado é bem legal, mas um pouco para turista ver (ui, já me sentindo em casa).

mercado

De lá peguei o elevador Lacerda (elevador que une a Cidade Baixa – que me faz lembrar do maravilhoso filme com o Wagner Moura e Alice Braga VIVA O CINEMA NACIONAL aloka – a Cidade Alta) e pá… cheguei no Pelô. E a sensação que dá chegar no Pelô vou dizer que não condiz com o que senti com muita cidade da Europa (ui, viajada). Que todo gringo que estava por ali à minha volta tenha sentido aquela energia que senti. Não sei explicar bem. Mas, é tipo gente que ama muito alguma coisa e não sabe explicar o porquê. É coisa que dá. E muito amor é sempre meio triste. O Pelô é meio triste também. Daí que chorei um pouquinho na Fundação Casa de Jorge Amado (aqui leia-se com a intonação ca-sa-di-jo-ge-a-ma-do na voz do Caê). O museu em si não é assim ó uma coisa bem pensada. Mas para quem é fã tem uma bagagem poética ali.

amado

Também no Pelô visitei uma Igreja chamada Nossa Senhora do Rosário dos Pretos. Criada por uma irmandade de negros escravos (e alforriados) devotos de Nossa Senhora do Rosário. A Igreja é lindíssima, mas a energia do lugar me tomou de assombro. Nos fundos da Igreja há um cemitério de escravos e eles usavam nos cultos muitas das mesmas músicas do Candomblé. Em tempos de intolerância religiosa em que a gente vive dói um pouco saber que é difícil aos olhos do preconceito respeitar e transitar entre diferentes culturas. E é belíssimo ver gente que acreditou que fosse possível (mesmo que no século passado).

Alguns frame-coração do Pelô:

Pelô 2/2

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Pelô 1/2

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O MOMENTO ACARAJÉ:

Estava conversando com um pessoal e o primeiro me disse “come o acarajé da Cira”. O outro disse “come o da Regina”. E outro disse “come o da Nana”. E EU GRITEI GENTE PARA TUDO QUE EU TENHO UMA CANÇÃO MAESTRO:

E neste momento abriu-se um clarão. Enfim, comi o da Regina, no Rio Vermelho. Maravilhoso como tudo que é frito no mundo. Fritura e camarão não tem como dar errado. Uma coisa que eu ignorantemente (que vergonha e me perdoem se é algo já sabido por todos) não sabia é: por ser uma comida de ritual de Iansã é considerado pelas baianas uma comida “sagrada” e só pode ser preparada por filhos de santo. O que dá todo um romantismo para a coisa, né? Não é um vai lá e faz. Enfim, Regina, é a dica que fica.

Dica GLAMOUR (e também Garagem)

A The Finds foi uma dica muito quente. A loja fica no Rio Vermelho e vou tentar explicar em imagens:

Acho que basta, né?

Bahia, que aula de tudo. Hoje, aqui do meu sofá de onde lembro de ti e te jogo esse charme todo vejo que faz sentido Vinicius ter ido e ficado. Não demoro. E se bobear vou e fico.

 

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Aqui é Brasil, tropical-latino-americano

Ontem estava eu acompanhando Messi perder o pênalti e em um ato de micro tédio fui dar uma rolada nos feeds das redes sociais. Me senti um pouco entristecida pelo fato de estar POR FORA do tão recorrente assunto dos domingos. Nos compartilhamentos, imagens escuras pessoas um tanto quanto embranquecidas clima dark dragões e uma imensa vontade minha de perguntar: SOBRE O QUE VOCÊS ESTÃO FALANDO?

Nada contra Game of Thrones (tenho até alguns amigos que são). Mas me subiu uma vontade súbita de fazer uma listinha sobre o território que me diz respeito: EL BRASIIIIILLLL. Que coisa linda tudo que fala a língua portuguesa (filme, livro, música) essa tropicalidade esse verão esse gosto de jenipapo meu sinhô.

E pra quem gritou pelas redes: “o que farei até o ano que vem?”, “o que vou fazer da minha vida?”, “acho que vou vou morrer esperando a nova temporada”. Eis o elixir: quem sabe desfrutar de uma produção audiovisual brasileira? Velha, nova, o que for.

O samba agora é sem medida, vem comigo nesse mundo das séries brasileiras:

Capitu

Fica um pouco feio começar pela série do livro preferido da minha vida (ou é Budapeste, não sei). Mas Capitu bateu em mim como a primeira vez que vi o mar (não lembro quando foi, mas deve ter batido assim). Dai-me uma comparação poética para Capitu. Não me acode imagem capaz de dizer do que foi e me fez. Foi aí que me apaixonei pelo Melamed e pelo Luiz Fernando Carvalho (tem um post sobre ele aqui no Glamour). A produção, a direção de arte do Raiumundo Rodriguez, a trilha sonora (ai essa canção do Beirut), o cenário (foi gravada todinha dentro de um mesmo salão no centro do Rio de Janeiro). Vale cada lágrima. Tem completa no Youtube:

Alice

De 2008, PORÉM, essa trilha sonora me quebra até em 2016. Foi aqui que conheci o Instituto e o 3naMassa. Muito incrível ver São Paulo desconstruída e a Andréia Horta tá simplesmente maravilhosa, prefiro não falar sobre o Du Moscovis.

Tem completa no YouTube:

Filhos do Carnaval

É de 2006, fala sobre esse mundo dos bicheiros, sobre o Carnaval carioca, tem morte, tem amor e tem SAMBA NO PÉ. Passava na HBO e tinha só gente boa.

Tem completa no YouTube:

Da Amor

É uma dessas séries que fala sobre o amor nos tempos digitais (e com uma trilha do Marcelo Camelo fica difícil não se apaixonar). É bom porque dá na nossa cara todo esse momento líquido que temos vivido, a Lulu (Maria Flor maravilhosa que saiu pelas ruas pela democracia tempos atrás) é uma artista plástica que mora no Rio de Janeiro e fala sobre essas relações amigos/trabalho/largar tudo para viver um amor em Berlim. Essas coisas todas. É fofita!

Tem completa no site do Multishow.

Afinal o que Querem as Mulheres?

Taí uma receitinha que deu certa: Melamed + Luiz Fernando Carvalho. É meio que aquela certeza de que um filme do Wes Anderson vai ser esteticamente lindo. Talvez o Luiz Fernando Carvalho seja o nosso Wes Anderson. OU MELHOR. Wes Anderson é o Luiz Fernando Carvalho deles. O André (Melamed) é um estudante de psicologia que começa a estudar o que AS MULHERES QUEREM. Incrível.

Tem completa no Youtube:

Latitudes

Pega essa frase: “esse é um daqueles momentos que você não sabe se o cara é intenso porque é charmoso ou se é intenso porque é maluco”. Tudo que vem da família Braga vem bem (vide a maravilhosa Sônia na premiação de Cannes).

Desculpem a janela política. Nessa série (primeiro projeto TRANSMÍDIA do nosso Brasilzão) a Alice Braga vive uma editora de moda que se apaixona por um cara (Daniel de Oliveira), eles se encontram em diferentes lugares do mundo em uma pegação louca e sentimental. Meio nos extremos dos sentimentos. Uma coisa meio enlouquecedora. Mega produção que vale a pena pelo todo.

Tem completa no canal deles:

Amores Roubados

Preferi me abster de imagens, trailers e deixar só o link da CANÇÃO TEMA desta maravilhosa série CALIENTE. Se passar pela sua cabeça ver uma série que contenha as tags AMOR BANDIDO + Cauã Reymond + sertão + pegação = aqui é o seu lugar. É o que eu acho de AMOR BRASIL SUADO.

O Canto da Sereia

Nunca foi segredo o meu total e indescritível amor à Bahia. Se pudesse largaria tudo e me entregaria aquele lugar maravilhoso. Talvez por isso que O Canto da Sereia tenha batido forte em mim, remete à cultura Baiana, fala sobre Orixás, tem amor bandido, tem até uma música tema do MORENO VELOSO (veja só, nosso muso). Não achei completa no YouTube, mas tem o box para comprar e vos digo: vale cada centavo, ôxi.

Mandrake

Marcos Palmeira: um homem que além de tudo PLANTA ORGÂNICOS. Vi essa série em 2005 (eikivelhice), mas existe a possibilidade de achar alguns episódios inteiros no Youtube. Vale a pena por tudo e por ver o Miele. A série é a adaptação de três livros do Rubem Fonseca e tem toda uma malemolência Rio de Janeiro, crimes, amor-brasil-suado. Vale!

Se ver, se gostar, se interessar as trilhas sonoras (também trabalhamos com essa espécie de link) prende o grito! 🙂

Séries enviadas pelo povo (voz de Deus):

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Lili, a EX

O Negócio

Oscar Freire 279

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13 coisas que aprendi com GIRLBOSS para levar na vida real

Durante muito… muito… muito tempo vi fotos estilo flat lay com composições bacanudas que ornavam o livro Girlboss, da Sophia Amoruso, com coisas tipo óculos e maquiagem. E, vou confessar, por um momento tive um certo preconceito. Achei que era algum livro da modinha que não iria representar muita coisa na minha vida, não. Porque é mais difícil ver, por exemplo, um Mia Couto (que me toca o coração) em uma composição dessas. Mas esse é só um preconceito que quero perder (e, vale lembrar que o livro da Lena Dunhan apareceu muito pelo Instagram e é maravilhoso!).

Daí que a Taidje me disse um dia: “lê Girlboss!”. E aceitei que esse momento deveria acontecer. Ela me convenceu com comentários tipo “é praticidade pra vida”. Acho que foi mais ou menos aí que o livro me pegou: falar sobre trabalho com praticidade. É tipo um auto-ajuda com uma pegada um pouquinho mais fashion. E todo auto-ajuda tem o seu valor.

Mas, como a gente sabe que nem todo mundo tem tempo, ou nem todo mundo lembra quando chega na Saraiva do livro que deveria comprar, ou nem todo mundo está afim, ou nem todo mundo decidiu ainda se vai comprar ou não… Então vamos falar sobre trabalho na versão mais GIRLBOSS do nosso ser.

girlboss_sophia_amoruso

[Fotos de uma mera pesquisa por Girlboss no Google]

O livro fala sobre Sophia, que era uma mulher como todas nós, mas que foi iluminada por uma estrela da boa ideia: vender roupas vintage no eBay. Juntou a ideia boa com muito (muito mesmo) trabalho duro e hoje é dona de um dos maiores e-commerces de moda dos EUA, o Nasty Gal. Tipo, um negócio milionário real. Essa é ela:

Hercules in retrograde

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Daí que ela conta como tudo isso aconteceu, como foi o início difícil, as roubadas, as coisas que deram certo e errado. O livro foca bastante em empreendedorismo. E isso de abrir um negócio e ser minha própria chefe não me tocou muito. MAS vi que todas as coisas legais que ela falava sobre trabalho poderiam ser usadas para um manual das boas maneiras do mercado de trabalho em geral. Porque a gente sabe que nem todo mundo vai abrir um negócio.

Mas que é possível ser uma GIRLBOSS da nossa própria vida.

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Aqui vai a lista das 13 coisas que aprendi com o GIRLBOSS.

1. “Você não precisa escolher entre ser inteligente e ser sexy, você pode ser as duas coisas”

Como eu li: realmente preciso parar de ficar colocando 8x o celular no soneca, acordar 15 minutos antes e ir arrumadinha para o trabalho. Muitas vezes fui trabalhar de chinelo Adidas, sem maquiagem, cabelo sujo, de short e unha 50% descascada. Nunca ninguém me desrespeitou por isso. Nunca ninguém me chamou para dizer que minhas roupas estavam atrapalhando o fluxo do meu trabalho. Mas todas as vezes em que eu estava maquiada, de salto, arrumadinha e cheirosinha fui 100% mais eficiente comigo mesma, com os outros, com o mundo.

Feliz que a moda raider da adidas de castelhana sem banho está em alta

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2. “Resumindo, se você é uma droga em alguma coisa e não quer ela de jeito nenhum, se livre das amarras e siga em frente”

Como eu li: ser muito ruim numa coisa não impossibilita ser muito boa em alguma outra. É tipo eu com organização. Todos os dias me abraço mentalmente dizendo: tudo bem esse desktop ser uma bagunça absurda e vergonhosa, se o que eu fizer agora ficar muito bonito. É tipo uma troca. Se eu fosse qualquer outro tipo de profissional: é ok fazer isso de uma maneira totalmente torta, sigo em frente e vou fazer o resultado final ficar bom de alguma maneira.

3. “Acabei aceitando o fato de que viver livremente não significava necessariamente viver bem”

Como eu li: não entrar na pira de que o mercado de trabalho é um monstro opressor e a liberdade está ON THE ROAD, muito louca, bêbada, Route 66. Nem todo mundo é feliz e livre como os filmes contam. E o mercado de trabalho não é esse bicho papão que come a juventude das pessoas. A vida é mais simples que isso (ao que me parece). Entregar algo legal, ver o trabalho dando certo, ir ao supermercado, chegar em casa e saber que meu cachorro não estragou nada (tipo não comeu um passaporte nem fez xixi em cima de um computador) é uma vida incrível e totalmente livre.

4. “Tenha algo original e especial para oferecer que torne a vida das pessoas melhor”

Como eu li: não é uma questão de descobrir um talento mágico que só você tenha no mundo. Acho que é mais uma coisa de se fazer útil. E isso pode ser: estar disponível e com um sorriso (real) no rosto. Levantar para ajudar alguém que esteja precisando, ajeitar uma pilha de papel, ficar até mais tarde só fazendo companhia ao colega que está atolado de coisas. Talvez não se trate de talento sobrenatural. E ninguém é obrigado a ooohhhhh encontrar o seu talento escondido misterioso incrível tipo um livro do Paulo Coelho. Talvez se trate de esforço e uma vontade que quase se aproxima da fé de que as coisas (todas) funcionem. E dentro das coisas a vida vai se fazendo.

5. “O dinheiro fica melhor no banco do que nos seus pés”

Como eu li: a primeira vez na minha vida que olhei o saldo da minha poupança e tinha algo lá foi um dia muito marcante. E, veja bem, meu histórico envolve a palavra SERASA. Toda vez que eu via algo que queria muito tipo uma bota maneira e meu salário tinha terminado nem contava com aquele dinheiro. Mas, no fundo sabia que se algo rolasse aquele pé de meia estaria do meu lado para me salvar. Independência também é jogo de cintura sem ser porra louca. Às vezes essa sensação não é melhor que a compra de um bom sapato, mas em sua maioria é. Que essa sabedoria seja eterna enquanto dure em mim até o próximo crediário. Amém.

6. “Embora eu realmente acredite que você precisa ter a intenção de realizar os seus sonhos, também acho que você tem que deixar espaço para que o universo faça as coisas da maneira dele”

Como eu li: não adianta ser uma louca psicopata que precisa se desdobrar em cinco para ganhar uma promoção, aumentar o salário e se sentir um lixo se as coisas não derem certo. O universo tem o seu tempo para agir e talvez não seja o momento. E as vezes as coisas vão dando certo organicamente, tipo uma amiga indica para uma vaga legal, surge alguma coisa bacana até pelo Facebook, o chefe aceita a sugestão do aumento depois de um tempo e tal e coisa. Também por isso a história de poupança > sapatos. O universo precisa de tempo.

7. “Mas eu acredito muito que o que é certo deve ser simples. Meu pai sempre me disse que a definição de loucura é fazer a mesma coisa sempre, esperando resultados diferentes”

Como eu li: se as coisas estão parecendo muito complicadas talvez estejam sendo feitas da maneira errada. Tipo montar um brinquedo do Kinder Ovo. Se tá muito complicado é porque tá sendo montado da forma errada. E isso meio que serve para tudo no trabalho. Até para as relações interpessoais. Talvez se uma pessoa esteja complicando muito, eu esteja lidando com essa pessoa da maneira errada.

8. “Você tem que expulsar as pessoas da sua mente do mesmo jeito que expulsaria alguém da sua casa se não quisesse que a pessoa estivesse lá”

Como eu li: sempre, em qualquer emprego do universo, seja em qualquer área do conhecimento, existirá uma vaca ou um trouxa. E essa vaca ou esse trouxa geralmente não vai ser assim só comigo. Será em níveis mundiais. E chega um momento que todo mundo se dá conta. Então ninguém precisa ser justiceiro da maldade humana, nem começar uma briga, nem nada. Essa pessoa má geralmente atrapalha mais o fluxo dela mesma do que o meu flow. É muito difícil. E inúmeras vezes já chorei no banho porque alguém me fez alguma sacanagem ou puxou o meu tapete no trabalho. Mas essa pessoa nunca entraria na minha casa. Não posso deixar que ela tome espaço na minha mente. Deixe que ela se atrapalha sozinha.

9. “Existe zero de correlação entre ser aquele que melhor sabe falar e aquele tem que tem as melhores ideias” | frase de Susan Cain

Como eu li: ok, concordo, mas para mim, não comer mosca é a chave do sucesso de toda a humanidade. Ninguém vai defender as minhas coisas por mim, então falar bonito tem sempre as suas vantagens. Sem ser mimimi, nem cabeça dura, nem ridícula, nem brigona. O esquema é: se eu acredito nos meus pontos não vou esperar que alguém vá defender eles por mim.

10. “O fracasso é uma invenção sua” – “Sucesso e fracasso servem a um mundo preto e branco. Como eu disse antes, tudo é meio cinza”

Como eu li: ninguém está preocupado o bastante comigo para achar que eu tenho sucesso ou fracasso. É isso.

11. “Você tem que ser apaixonada e vibrante em relação às próprias ideias para fazer com que deem certo”

Como eu li: sim. Altiva. Sorriso no rosto. Esperançosa. Põe fé que já é, já diria Arnaldo Antunes. O mau humor não é legal para nada na vida, mas para o trabalho é muito pior. A pessoa fica até meio feia, na real. E para fazer uma ideia der certo (seja ela qual for, pode ser até uma planilha no Excel) precisa existir um pensamento bom. Talvez seja por isso que as pessoas mau humoradas estejam sempre reclamando de que as coisas dão errado.

12. “Não é o meu trabalho não é frase que se diga”

Como eu li: apenas nunca seja a pessoa que diz essa frase. Se pedirem para varrer o chão, talvez seja necessária a sua ajuda para varrer o chão. Ninguém é tão importante que não possa fazer várias coisas, inclusive coisas que não estejam no seu escopo. Os chefes mais legais que eu conheci eram aqueles que botavam a mão na massa e faziam coisas que nem eram da sua alçada. Já vi chefe minha servir salgadinho. Isso… Isso… é INCRÍVEL. Por isso elas estão onde estão.

13. SEJA HUMILDE

Como eu li: maior ensinamento de todos os tempos para todas as pessoas da face da terra. Gostaria de gritar pelas ruas: SEJA HUMILDEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEE. O mundo é dos humildes. Pode existir aqueles que não são humildes e que estejam em grandes cargos no mercado de trabalho. Mas, no fundo, todo mundo que tem que lidar com essas pessoas fica pensando “nossa, que pessoa mala”. E que droga né?, ser um tipo de ser humano que todas as pessoas desprezam. Deve ser uma droga chegar em casa com essa carga. Mesmo com todo o dinheiro do planeta. E, que coisa boa, mesmo pobre, ser querido por muita gente.

Talvez o equilíbrio do “sucesso” (para mim) esteja aí. Não passar por cima de ninguém, não comprar brigas desnecessárias, manter o flow dos dias, não se vangloriar, nem se menosprezar demais, fazer com que a roda funcione e dormir de consciência limpa e tentar fazer as unhas quando der.

Como vamos pagar as contas? Daremos um jeito. Como seremos as mulheres que sonhamos ser? Daremos um jeito. Como vamos ter controle total da nossa vida? Daremos um jeito. Mas nunca, nunca, nem para conquistar um cargo de CEO da Estratosfera do Melhor Emprego do Mundo (e nem sob nenhuma hipótese) seremos vacas com alguém.

E se estiver a fim leia o Girlboss. 🙂

Fiiiiiiiiiiiiim.

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Sapato com glamour e preço de garagem <3

Cada um tem a sua relação com a moda e tudo bem. Alguns gastam oito salários mínimos em uma peça e tudo bem. Alguns preferem o fast fashion mais em conta. No meu caso, tive uma criação que não me deixava ter muitas dúvidas sobre isso. Minha mãe perguntava pra gente: “se apaixonou por essa peça?”. E só se a gente respondesse “siiiiiiim” ela dava um jeito de levar (fosse em carnê, fosse em cheque pré-datado, fosse em 57x). Se a gente ficava muito em dúvida, ela já dizia: “então vamos seguir procurando e se não acharmos é porque tu não precisa”.

Ela sempre teve um papel guerreira que seria capaz de mover fundos e mundos para agradar. Mas peça com etiqueta por falta de uso no armário nunca foi uma possibilidade. Ensinou que roupa é uma informação e informação precisa ser útil, mas não necessariamente precisa ser cara. E isso não é um julgamento para quem investe pesado nisso, nem um estilo de vida detox de poucas peças, nem nada disso. Acho que é um movimento para um roupeiro mais baseado no amor e menos no consumo desenfreado.

Esse final de semana eu tinha um casamento bem lindo e fiquei super em dúvida sobre o vestido, dei uma geral nos e-commerces, mandei mensagem em todos os grupos de amigas pra saber das possibilidades de empréstimo… Até que lembrei de um vestido que era da minha mãe, feito em 1976 para ir a um show do Vinicius de Moraes no Uruguai (só a história já deixaria esse vestido lindo).

Saldo do gasto do look do casamento por enquanto: R$0,00

Herança boa mesmo é essa: vestido da minha mãe feito em 1976 para ir a um show do Vinicius. ❤️

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Participação especial do boy (eu deveria ter tirado uma foto melhor)

Eis o desafio pós achar o vestido: uma sandália prateada. Aí que o universo resolveu conspirar favoravelmente e tínhamos uma reunião para conhecer o novo Armazém das Fábricas. Para quem não lembra, eles são parceiros antigos do blog, uma espécie de paraíso dos sapatos, e agora estão na Av. Dr. Nilo Peçanha 2146. Mas continuam bem do jeitinho que a gente gosta: modelos incríveis de lindos, preços igualmente incríveis de em conta. Sapatos cheios de glamour, mas com precinhos de garagem 😉

E tcharãn:

Saldo do gasto do look do casamento por enquanto: R$99,00

Essa sandália que é uma peça por si só custava 99 justos reais. Moda + penso na hora da compra (preciso disso?) + peça que caiba no orçamento = amor. Passamos um bom tempo lá no Armazém escolhendo as peças mais maravilhosas e fica a dica desse combo: muita promoção + marcas bacanudas + peças incríveis com um preço GENTE COMO A GENTE.

Além dos preços serem absurdamente mais baratos que o normal do mercado (OUTLEEEETTTTTT? ADOOOOOOORO), todo mês eles têm uma promoção bafo. Só para dar uma ideia, não são apenas os descontos progressivos – 10% em um par, 15% em dois e assim por diante -, mas também bônus delícia a cada R$150, R$200 ou mais em compras.

Então vai a nossa seleção: é sapato que o povo quer, é sapato que o povo vai ter:

armazem_16_7

[R$199,90]

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[R$99,90]

armazem_16_1

[R$99,90]

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[R$99,90]

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armazem_16_6

[R$199,90]

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[R$249,90]

armazem_16_8

[R$99,90]

armazem_16_12

[R$109,90]

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[R$99,90]

armazem_16_9

[R$99,90]

armazem_16_14

Vocês vão ver o Armazém das Fábricas muito por aqui, em looks para trabalhar na máxima potência da elegância (e pegar um bus depois no maior conforto), produções de festa que combinam com todos os bolsos, além de seleções mensais dos sapatos mais musos e com o melhor custo benefício. Tudo isso, claro, sempre com base no amor <3 Vem cá gente!