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O filme Amores Urbanos está sendo gravado agora.

Foi a primeira vez que eu fui cinema sozinha. Tenho 28 anos. Moro em São Paulo há nove meses. Nada poderia fazer mais sentido pra esse momento do que o roteiro de Amores Urbanos, filme que marca a estreia da cineasta Vera Egito. Ela tem 34 anos. E isso faz diferença porque Vera conta uma história dela mesma.

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“O filme é uma crônica, é um retrato muito do nosso grupo de amigos. Acabou sendo muito instantâneo, um retrato dos amores e dos relacionamentos que a gente vive, que eu vejo meus amigos vivendo. E acaba sendo da minha faixa etária, um momento interessante da vida onde você já tem algum passado. Com 20 anos você só tem futuro, tudo pode acontecer. De repente com 30 muita coisa já não aconteceu e você tem que começar a trabalhar com a frustração e com a certeza de que nem tudo vai ser do jeito que você imagina e tudo bem, tem que seguir”, contou para o Metrópolis da TV Cultura.

É isso. Hoje, no meu passado tem um monte de coisa mal resolvida que deixei em Porto Alegre, em Camaquã, em Jaguarão e um monte de coisa que insistiu pra vir nas malas. Paguei excesso de bagagem, obviamente. No longa, a Julia (Maria Laura Nogueira), o Diego (Thiago Petit) e a Micaela (Renata Gaspar), são amigos, vizinhos de porta e conduzem a história com dramas como o fim de um relacionamento (na real, a Julia se descobriu amante depois de dois anos) e um trabalho idealizado, a conturbada relação pais e filho homossexual e um namoro lésbico não assumido como pano de fundo.

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Mas esses três poderiam ser a Nena, a Rê, a Nic, o Roque, a Ju… Os meus amigos, vizinhos de porta e que, assim como no filme, formaram uma família em SP. Só assim para sobreviver à Pauliceia. O trio poderia muito ser eu, a Lanna e a Tai resolvendo as maiores e as menores tretas da vida ou fazendo terapia por Whats App.

Amores Urbanos é um recorte da minha, da tua, da vida dos nossos colegas e amigos.

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O filme não tem “barriga”, um “pico”, um “final feliz”, ele começa e termina quase no mesmo ritmo porque a vida é assim. O ponto alto é a noite incrível com o cara mais disputado da festa mas também é uma noite que termina com todo mundo caindo de bêbado e é também aquele momento que quem mais te julga te dá a mão e também é a briga entre amigos quando um resolve falar umas “verdades”. O ponto alto de Amores Urbanos é a cena dos três amigos em silêncio no sofá. É reconhecer a trilha de Thiago Petit e Holger, é reconhecer o balcão do Mandíbula (foi um dos primeiros bares que conheci em SP e sigo frequentando).

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A identificação com o público é tamanha que no cinema meio cheio no dia da estreia rolavam risadinhas sintonizadas nos mesmos momentos.

Saí do cinema numa noite friiiia na Augusta com aquela sensaçãozita de “segurança” porque na real estamos todos no mesmo barco pensando sobre aquela proposta de emprego, o boy que não respondeu, a amiga que tá chegando e como resolver o feminismo ao mesmo tempo e com a mesma intensidade.

Respira, segura na minha mão e responde comigo a pergunta do início do filme: “até quando dura juventude?”.

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Amores Urbanos | Comédia dramática de Vera Egito, escrito e filmado em 2014, com ótimas atuações de Maria Laura Nogueira, Thiago Petit e Renata Gaspar. Também estrelam o filme a cantora e compositora Ana Cañas (maravidjosa), o ator Lucas Veríssimo (ga-to) e a estilista Emanuelle Junqueira. Outras informações aqui

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True love will find you in the end ou motivos para usar o happn

Se alguém já viu o filme Medianeras – O Amor na Era Virtual (caso não tenha cuidado com os spoilers e segue link para o trailer), vai perceber que esse post bebe muito na referência pois somos apaixonadas pela história. E também porque o filme retrata uma real que a gente defende: o amor verdadeiro vai te encontrar. E também porque a gente trabalha há tempo suficiente com o digital para saber que sim, vai mesmo.

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Por isso topamos o desafio do happn e vamos até o fim nessa teoria. Só que nem sempre a gente precisa ficar esperando o amor. E por “amor verdadeiro” leia-se: não necessariamente aquele eterno, ou casamento, ou algo parecido. Estamos falando daquele sentimento que faz a gente chegar em casa às seis da manhã com a maquiagem borrada, olhar para o espelho e dar aquele sorrisinho pensando: YOU GO, GIRL. E arriscar até alguns pulinhos. Pode ser crush, pegadinha, namoro de duas semanas, o que importa é aquela sensação de coração quentinho, de estar vivo por inteiro. Qualquer relação com o outro faz a gente se sentir assim e isso é o mais legal de toda a parada.

Onde está (o nosso) Wally?

Cruzamos por inúmeras pessoas todos os dias (e o filme mostra isso de uma maneira muito poética), mas nossa geração tem a possibilidade de encurtar o caminho que antes era feito por nossos avós através de cartas, telegramas e sinais de fumaça. Nossa geração é da possibilidade e da escolha. E isso não significa um encurtamento dos sentimentos. Ousamos até dizer que nossa geração tem uma tendência maior a se deixar levar.

É uma questão cultural: vivemos em cidades grandes que crescem desordenadamente, como Buenos Aires, cada um com a sua individualidade e as suas tarefas, como Martin e Mariana, e com mil coisas acontecendo todos os dias, porque a vida é assim mesmo, uma comédia urbana dramática e romântica, como em Medianeras. O resultado é que também sofremos desencontros que sequer sabemos em cada esquina, em cada minuto. Pois é aí que os jovens cabeça baixa, como são chamados aqueles vivem com os olhos vidrados no celular, podem encontrar na tecnologia um meio não de afastar da real life, mas também de juntar na real life.

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O filme toca em um ponto importante que é: se, mesmo sabendo quem a gente procura, podemos não conseguir achar, como encontrar o amor quando não se sabe como é ou onde está?

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Descobrir pessoas que cruzam o nosso caminho. É aqui que tudo acontece e é essa a bandeira do happn. Mariana e Martin são pessoas diferentes, mas pensam de forma muito parecida. Mariana e Martin não se conhecem, mas são vizinhos. Encontros e desencontros, no melhor estilo lost in translation. Seja marginal, apaixone-se, dizia um texto da Maria Ribeiro essa semana. E a gente é muito a favor disso: apaixone-se, apaixone-se.

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A angústia de se saber um entre milhões…

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… e como encontrar os Wallys da vida real.

Pois é isso que a gente conta aqui. 😉

Mas por que usar o happn?

Há quem diga que é apenas mais um entre tantos lugares para conhecer pessoas. Há quem defenda que em tempos de digital e correria, é o melhor caminho para criar conexões. Há quem procure um amor, um flerte, um sorriso, uma conversa, uma troca. E, claro, há quem só queira matar um pouco de tempo – os mais céticos diriam “o amor não está ali”, mas aí a verdade é que pode não estar em lugar nenhum. Mas não é nisso que a gente acredita.

E nem a Alice Stepansky, amiga querida de Porto Alegre que é formada em Psicologia, faz mestrado e mora no Rio há pouco mais de um ano. Um partidão.

Na fase inicial da mudança para a cidade maravilhosa, ela baixou o happn para conversar, já que a rotina era uma loucura. “Em uma cidade nova, conhecer pessoas sem sair de casa para a noite tem muitas vantagens”. Usou o aplicativo por oito meses. “O melhor do happn, além de mostrar com quem a gente cruza todos os dias, é ver onde. Porque já dá para pensar mais ou menos no perfil de quem frequenta aquele ambiente”.

A Nicole Martini teve um crush francês que acabou virando seu guia-turístico em Paris. E só! Ela conta que começou a usar o app quando foi de Caxias do Sul para São Paulo e que tem plena certeza que o happn ajudou na adaptação.

Tá, mas e os encontros? O primeiro da Nic começou com receio e nervosismo, mas depois teve café, sessão de cinema com filme cult (Norwegian Wood, que ela súper recomenda), debates sobre amor, desamor, gostos e desgostos. E tudo terminou com uma indicação curiosa de livro: “Vox”, narrativa de uma relação amorosa entre dois estranhos apenas pela voz. Sem beijo, mas com coragem para os próximos.

A Julia Bernardes tem o happn desde o início de 2015 e coleciona histórias proibidonas divertidas. Entre outras coisas, ela garante que dá aquele empurrãozinho para quem quer falar com o vizinho, com aquele lindo que sempre encontra no supermercado perto de casa… A Julinha é gente como a gente:

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Seja marginal, apaixone-se!

Foi o que fez a Ana Virtuozo, planner de Porto Alegre, que começou a usar o happn fora do país para conhecer gente interessante e com a cultural local. Já no Brasil, em janeiro deste ano, ela… cruzou com um amor.

Depois do crush, demorou um tempinho para eles falarem. E olhem que coisa mais querida: foi no dia 1º de janeiro que rolou o primeiro “oi”. Uma semana depois, se conheceram pessoalmente. “Eu não sabia exatamente o que ia rolar. Fui meio desesperançosa, mas já faz cinco meses desde então”.

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No melhor estilo Medianeras <3

Quero baixar. E agora?

A gente falou em usar o happn em momentos com tempo livre, né? Pois se você ainda está insegura, junte as amigas e, de celular em punho, comecem a “jogar o joguinho” (apelido carinhoso que demos para a prática). Com vocês analisando, imaginando e rindo, tudo fica muito mais leve. Vale até fazer aquele brain para as melhores abordagens e respostas.

Ainda que não saia do papo, abrir o happn é encontrar começos a cada momento com gente de verdade. E uma coisa a gente pode garantir: tem monte de pessoas incríveis passando por você agora mesmo. Ah, se Mariana e Martin tivessem o aplicativo… 😉

Ó o Medianeras completo no Youtube (e tem também em qualidade melhor no Netflix).

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Por que seria legal você assistir ‘Espaço Além’, novo filme de Marina Abramović?

  • Aborda aquele tipo de tema ‘comum’ mas que quase ninguém tem um conhecimento aprofundado através do olhar de uma das maiores artistas contemporâneas;
  • Desmistifica e ao mesmo tempo te deixa ainda mais curioso sobre uma parte importante da cultura brasileira;
  • Te faz perder o medo e o preconceito do desconhecido;
  • Tem muitos daqueles momentos ‘minutos de sabedoria’ nos trechos em que a artista conversa com personagens dos lugares visitados. Marina Abramović as chama de pessoas de poder*;
  • Apresenta (ainda que brevemente) a história da artista;
  • Tem aquelas cenas do tipo ‘bastidores’ que todo mundo ama com traços do humor de Abramović;
  • Faz a gente pensar que a busca pelo que nos faz bem é sim um dever.

E mais…

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Peço licença para contar como o longa / documentário bateu em mim. Mais que isso, além de ter assistido ao documentário na pré-estreia no Iguatemi São Paulo, fui para a coletiva de imprensa.

A situação era a seguinte: Marina Abramović ali numa cadeirinha (vários outros jornalistas) e yo.

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Confesso que não lembro exatamente quando conheci o trabalho da artista, certamente foi através da Tai e da Lanna e também não sou uma súper conhecedora das artes. Cheguei na coletiva e em um determinado momento ouvi o seguinte: “eu chorava no táxi, no supermercado, nas ruas. Meus amigos não me aguentavam mais”. Essa era Marina Abramović (!!!) contando um dos motivos pelos quais ela fez viagens ao Brasil em busca de rituais de cura. E comecei a entender como essa mulher pode ser tão mas tão fascinante.

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Entendi Abramović como uma mulher ‘normal’, com dores, preocupações, questionamentos comuns a mim e a você, mas que transforma isso em algo gigantesco ainda que simples. Usou a performance para expor seus sentimentos e provocar ações, sensações, pensamentos no público. E não hesita em dizer que por muto tempo a performance não era considerada arte, que lutou contra o preconceito com o tipo de arte que escolheu.

Um trecho da entrevista ao site RG diz que a artista não fez o filme querendo mudar ninguém e destaca uma fala dela que eu poderia usar como lema de vida:

“Não espero nada. Só de mim. Não dá para esperar mudança das pessoas. Pensar sobre o que elas vão achar ou deixar de achar. Não é seu trabalho. O seu trabalho é fazer o melhor que você pode. Eu só sei que preciso ir até o fim”.

O documentário dirigido pelo curitibano Marco Del Fiol** foi gravado entre 2012 e 2013 e tem cenas da exposição Terra Comunal, que esteve no Sesc Pompeia, em São Paulo, até maio de 2015.

É um mix de road movie e thriller espiritual que acompanha Abramovic em uma jornada que inclui as curas do médium João de Deus em Abadiânia, locais sagrados na Chapada dos Veadeiros, os rituais do Vale do Amanhecer em Brasília, a tradição dos raizeiros e benzedeiras de Goiás, a força do sincretismo religioso na Bahia, as cerimônias de ayahuasca e sauna sagrada na Chapada Diamantina, os processos xamânicos em Curitiba e a força dos cristais de Minas Gerais.

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A estreia em circuito comercial está prevista para a próxima quinta-feira (19/05) e ainda tem esse convite aqui publicado pela página do filme:

Espero que mexa com coisas aí dentro de vocês como mexeu comigo!!

*Clique aqui e leia a história de pessoas de poder que aparecem no filme e são publicadas e selecionadas pela fan page do filme.

**O jornal Nexo conversou com o diretor do filme e publicou um podcast recheado de curiosidades.

***Texto da Lanna sobre Marina e outras tantas artistas para amarmos.

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Céu, Farm, velvet cajú e muito amor

♪♫ Para ler ouvindo: ♪♫

A gente não é daquelas fãs inveteradas da Farm. Pelo contrário, temos algumas críticas sobre como a marca se comporta (principalmente nos pontos de venda, mas também, sim, sobre os tamanhos e os preços que são quase impraticáveis). E nem somos muito de estampas, somos um trio bem neutrinho e minimalista, quase gótico.

PORÉM temos que admitir que algumas parcerias deles são realmente impressionantes. É o caso da coleção velvet cajú, com a cantora Céu – e essa amamos muito! Ela falou que apesar de ser “um convite para navegar em mares jamais desbravados, sempre houve uma proximidade mútua com a marca, além de uma curiosidade e interesse grande sobre esse universo que é o da moda”. E mais:

O engraçado foi que, pensava eu, estava dando um tempo um pouco do universo da música, me dando a chance de estudar outras coisas, etc….ledo engano…. foi através dela, da eterna música que cheguei nesse outro universo: desenhei meus ídolos musicais brincando de dar à eles as famosas “camisetas de banda” que tanto adoro, desenhei roupas que queria usar no palco, buscava na voz de veludo do Melodia, o veludo que queria usar na pele, e assim desenhei um blazer/vestido que já foi pros palcos….queria que minha coleção tivesse cheiro de cajú, desenhado na canetinha Pilot, misturado com um scarpin que amo e usava pra ser a Debbie Harry por um dia. 

Então venham só ver um pedacinho dessa maravilhosidade cósmica com os nossos looks preferidos. Porque ver coisa linda é sempre inspirador e não tira pedaço, né?

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Não é demais?

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