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Qual a última moda da moda?

Escrevi esse textão para o Medium da firrRRma e quis dividir com vocês aqui também. Por que abrir a roda nunca é demais, né? 😉

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A moda está no divã. É o fim de uma era. O “mundinho” chegou ao centro de um furacão. Essas são só algumas das previsões (apocalípticas, sim) feitas pelos meus especialistas preferidos da área. Todas as revistas brasileiras de moda fizeram ao menos uma matéria sobre a crise de identidade que o mercado enfrenta nos últimos meses. Porque fato é que nunca tantos estilistas pediram demissão ou foram desligados assim. De marcas gigantes. Ao mesmo tempo. Não temos mais como fugir.

Imagine a cena: o maior estilista brasileiro, reconhecido internacionalmente, se afasta da marca que carrega o seu nome. Parece improvável? Pois aconteceu há pouco mais de um mês. “Moda é feita de sonho e desejo. E alguns sonhos não têm preço”, disse Erika Palomino sobre a falência do sistema atual.

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Depois da saída de Raf Simons da Dior, a guru do jornalismo Suzy Menkes deu o diagnóstico: a moda está quebrando. Vejamos. O cara é um gênio, vivia um momento de glória, chegou ao topo e deixou a maison apenas… porque quis. A vida de um estilista é sempre no limite, do glamour à garagem em looping. Mas inclui tudo, menos tempo. “Eu preciso de mais tempo. Todo mundo hoje na moda precisa de mais tempo”, declarou Alber Elbaz quando saiu da linha de frente da Lanvin depois de — pausa dramática — 14 anos.

Basta olhar com atenção para identificar que os criativos são os que mais sofrem com essa velocidade das coisas. Nem todos aqueles que são emoção e arte conseguem se dar bem com o personagem que precisa estar presente em campanhas publicitárias, aparições, inaugurações de lojas, entrevistas, etc., etc., etc. E vamos além: se pensar em 2016, abril, o mergulho fica ainda mais profundo. Não entendeu? Role qualquer timeline de uma rede social: o público exige que essas vozes estejam na internet.

Twitter, Instagram, Snapchat, Facebook.
Quem compra quer atenção. Conexão. Dar follow.

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Alguns são ainda mais enfáticos ao culparem as redes sociais como responsáveis por esse novo panorama, que, vamos admitir, não agradou a geral. Estamos todos à beira de um colapso nervoso, escreveu a editora Renata Piza. “Desde que as mídias sociais substituíram os jornais, a importância dada ao Instagram ou ao Snapchat extrapolou qualquer limite razoável. A regra é trabalhar 24 por 7, estar disponível, ou melhor, grudado no smartphone postando sem parar. A era do parecer, não do ser. A era dos pixels na tela, não das conversas”.

Calma lá: na vida, quem perde o telhado // em troca, recebe as estrelas, cantaria Tom Zé.

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Inspirar uma nova dinâmica no consumo de moda e questionar o timing dos desfiles pode ser, na verdade, um brand new start. No passado (tão recente quanto ontem, rs), essa relação entre moda e consumo era como um GIF do Boomerang, um filme que começa nas criações, termina nas vendas e repete sem parar. Só que lá na ponta isso não fazia sentido para o espectador consumidor, que é quem paga o ingresso, faz a bilheteria, sustenta a engrenagem. Chegamos ao ponto em que as tendências dos desfiles apareciam primeiro nas fast fashion. Toda uma energia criada para a passarela precisava ser colocada em standby por quem curtiu nos feeds do Instagram. Não é loucura?

Com os desfiles sendo transmitidos em tempo real, a vontade de quem assiste também vira instantânea. São elas, as novas mídias, deixando o “súper na moda” para lá de exposto.

É uma conta que não fecha: se o desfile precisa provocar a reflexão e o desejo, sendo um norte para as vendas, como justificar a distância entre o que é mostrado nas passarelas e o que vai para as araras do consumo? Na cobertura das semanas de moda, esse abismo fica evidente: novembro, 30 graus, sol, pele à mostra. As marcas mostram couro, tons escuros, tecidos para temperaturas negativas. Coloco os pés fora das salas de desfiles, derreto. Pois se nem as estações são mais tão definidas, por que as coleções deveriam ser? Nota: estamos no outono, em abril, e faz quase 35 graus na rua enquanto escrevo este texto.

Segura na minha mão e vem para a primeira verdade: o que funcionava até hoje já era. O segredo está em descobrir como manter o brilho da novidade aceso mesmo com o ~real time, e traduzir isso para lucros. Não tenho todas as respostas e nem achei que encontraria, mas também não posso deixar de perguntar.

“O desfile é 360 graus, atinge a imprensa, o varejo e, através da internet, o consumidor. É uma grande ferramenta de construção da imagem da marca e também provocador de desejo para o consumidor final”, comentou Paulo Borges, fundador e diretor do SPFW.

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Temos. O desfile precisa ser um instrumento para o consumidor final. Escuto nos fones David Bowie com o hino ch-ch-ch-ch-changes // turn and face the strain e penso comigo: é tempo de ligar duas pontas que estavam separadas.

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Os estilistas mais reservados, mesmo talentosos, vão perder espaço, esbravejam por aí. Olha, deixa eu me apresentar: meu nome é Taidje e eu fui a aluna que tinha a certeza das respostas, mas não levantava a mão. Ganhava estrelinha, mas não abria a boca. E algo me diz que uma hora a poeira baixa, e o número de seguidores não fica acima da experiência e do olhar de quem tem sensibilidade e criatividade. Pode ser só uma impressão sem nenhum fundamento? Pode. Mas reservei esse parágrafo para depositar um pouco de fé na humanidade. 😉

Tem também os pregadores da desaceleração. “Viva o escapismo!”, coleções, campanhas, marcas inteiras pelo slow fashion e pelo consumo consciente. Em um dos meus grupos de mulheres no Facebook, mais de 70 meninas comentaram suas escolhas para uma vida mais econômica. Um ponto de atenção: comprar roupas. Armário cápsula, redução de gastos em shoppings e aluguel de peças foram algumas das soluções.

Para a Oficina de Estilo, empresa de consultoria de estilo pessoal, o consumo pode ser substituído por autoestima. “O que há de mais atual na moda do nosso tempo não é material — é imaterial. Criatividade é ativo precioso para quem exercita estilo pessoal (na prática, nas escolhas de todo dia): aparentemente todo tipo de produto já foi inventado e reinventado, o museu de grandes novidades certamente tem representantes nos nossos próprios armários”.

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Outro grupo entra de cabeça no vórtice. A Prada anunciou uma estratégia para os próximos anos com foco na nova geração, no imediatismo e no on-line. A Burberry fez uma “faxina geral” e já neste ano disponibilizou as peças para compra nos dias seguintes à apresentação, tanto nas lojas físicas quanto nas virtuais. Também não fará mais desfiles representando uma estação específica. A semana de Nova York já pensa em mudar totalmente o calendário, mostrando o inverno no inverno e o verão no verão.

Não pense que o Brasil vai ser o último a fazer check-in: o SPFW é a primeira semana de moda a oficializar a aproximação do momento do desfile com o do varejo. A edição deste ano virou apenas SPFW 41, sem Inverno/Verão. Um novo movimento carioca, a Rio Moda Rio, acontecerá entre 14 e 18 de junho também sem estações definidas e alinhada com os lançamentos nas lojas.

E eis que surge uma segunda verdade: não dá para permanecer estático no meio disso. A indústria precisa descobrir a sua luz e a sua verdade para se encontrar.

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Não entendo de exatas, mas sei que na Física a flecha do tempo aponta sempre para o futuro. Quem vai dar a direção são os protagonistas dessa história. E, se a moda é tradutora de comportamentos, fenômeno social e cultural, incitativa, indicativa, sugestiva, como escreveu Gilles Lipovestky em “O Império do Efêmero”, nada mais justo que buscar seu lugar e a sua vez.

De humanas que sou, diria que as bolas de cristal espalhadas por aí sinalizam essa oportunidade para trazer a moda mais para perto, descer do pedestal. Inacessível não é status. Porque a primeira coisa que a consumidora vida real (eu!) pensa ao ler que a Burberry mudou ou que o sistema quebrou é: “E como mexe comigo?”. O famoso E EU COM ISSO?

Talvez seja a hora de os criativos usarem a moda como ferramenta de expressão, de posicionamento e venderem isso com a etiqueta. Como preconizava uma das cabeças da Vogue Americana, Grace Coddington, o vestir de atualmente será de fato “deixar claro para a sociedade quem você é de verdade” — como um tweet.

Com o universo que se abre no on-line, cada vez mais a moda será avaliada antes de ser adotada ou rejeitada. Tenha em mente que 2015 foi o ano em que o mobile ultrapassou o desktop, ou seja, agora isso está na palma da mão, na ponta dos dedos.

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Não sabe por onde começar? Experimente, sendo marca ou consumidor, exercitar na moda sentenças como individualização, adequação e criatividade. Pratique a transgressão, cultive a rebelião, recuse repetições e conceitos cristalizados. E lembre da bandeira levantada pela mestra Regina Guerreiro: é melhor cometer um erro fenomenal do que viver na mesmice universal. A moda é isso. E está mais perto do que muitas mulheres imaginam.

Imagens: FFW, Agência Fotosite e Divulgação.

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carta aberta à bahia

Existem duas maneiras de começar essa história:

1: O que se cantarolava lá em casa

Meu pai nasceu na Hulha Negra, interior de Bagé, interior do Rio Grande do Sul. Veja bem, isso não tem nada de Bahia. Mas, tudo que ele tem de simples tem de cultura geral. E por cultura geral digo aquele saber sobre o Brasil – de que ano tal foi a música tal do artista tal e lalarilalari e sair cantarolando entoando as palavras mais bonitas. Ele me buscava no colégio e voltávamos caminhando e cantarolando Dona Ivone Lara. Essa é a memória afetiva mais presente que me vem ao pensamento quando falo “pai”. A ele devo a grande queda pela música brasileira (e, é claro, ao tango argentino) e também a grande cof cof virtuosa e tempestuosa veia socialista. Desde que me conheço por gente ele assoviava pela casa as seguintes notas maestro:

Eaí foi um pouco do pai, um pouco de ler Jorge Amado (começar por Cacau e me acabar copiosamente em lágrimas em Capitães da Areia, deixando sempre um pouco do Amado em mim), um pouco pelo Caê, um pouco pelo Gil, um pouco pela Bethânia, um pouco pelo Tom Zé… EI QUE TERRA ABENÇOADA. Foi desde muito jovem essa queda pela Bahia. Esse amor fatal (alusão ao maravilhoso disco da Gal). 

Vam tabaiá, Recôncavo!

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2: Filha de Iansã

A cultura das religiões africanas me toca tão profundo que seria uma leviandade falar sobre isso como quem sabe alguma coisa. Sei pouquíssimo, quase nada. Dia desses a Winnie (que por vezes escreve por aqui), que é Iyalorixá e minha amiga desde os 15, falou tão bonito e com tanta sabedoria “agora os brancos deram para gostar de Candomblé, acho que saiu na Marie Claire que era uma religião descolada”. Me permito sentir apenas e ainda assim, com respeito. Não faz muito tempo que vim a descobrir que sou filha de Iansã, Orixá da “transmutação das energias impuras”. E esse respeito, interesse, sentir, é uma das possíveis versões para esse encantamento com a Bahia. Quisera ter tempo (e obviamente dinheiro) para uma incursão tipo Marina Abramovic em todos os terreiros do Brasil. Com certeza isso não tem nada de Marie Claire. Tem a ver com fé (Winnie ficaria orgulhosa de mim agora).

Enfim, cheguei à terra abençoada. Baía de Todos os Santos. Tive nesses pouquíssimos dias – alguns de trabalho, alguns de (não muito) sol e acarajé – dicas impecáveis de pessoas incríveis que cruzaram o meu caminho. E, se alguém estiver de malas prontas para Salvador, espero que essas dicas cheguem tão cheias de energia boa como chegaram a mim.

CASINHA ou ONDE FICAR

Sou total adepta do AIRBNB, já aluguei meu apartamento, já aluguei o de muita gente e nunca tive problemas. Minha amiga de lá deu a dica: ficar no Rio Vermelho (que está para Salvador como o Bom Fim está para Porto Alegre) ou Praia do Porto da Barra. No Rio Vermelho não achei nenhum apartamento vago para os dias que precisava, mas dei sorte pois na Praia do Porto da Barra fui recebida por um apartamento anti-golpe:

Até o AIRBNB da Bahia é revolucionário

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Achei o bairro incrível, bom de andar a pé e aquela coisa que me pega pelo braço e me arrasta também conhecido como: duas quadras da praia. O famigerado CHEIRO DE MARESIA que destrói os móveis e os nossos corações.

EXPLOSÃO CULTURAL

Foi um baque. Salvador é uma explosão cultural (e não tem nada a ver com micareta, pessoas jogando capoeira nas ruas, pulseiras do Senhor do Bom Fim – isso até meio que tem – ou coisas que se espera vendo os folhetos da CVC). O que vi foi uma explosão cultural de museus muito bem equipados com aparelhos de altíssima tecnologia, curadorias incríveis, espaços de cafés maravilhosos e um jazz que fiquei de queixo caído. Então, vem comigo que te explico no caminho.

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Espaço Cultural Pierre Verger da Fotografia

A Praia do Porto da Barra tem duas fortalezas. A fortaleza de Santa Maria e São Diogo. As duas foram totalmente revitalizadas e hoje são dois museus lindos. Lindos de doer. Taí uma coisa que funciona: museu na beira da praia. Dá para ler a notícia aqui.
Na fortaleza de Santa Maria fica o espaço Pierre Verger (que já apareceu por aqui no GG). Para quem, assim como eu, tem um certo interesse agudo ao Candomblé é quase como um mergulho profundo em um mundo turvo e poético da obra dele (e alguns outros fotógrafos baianos). Do que mais me abismou: uma sala com projeções das fotos do Pierre Verger retratando as iniciações ao Candomblé. Nessas fotos há uma espécie de sombra que é possível “clicar” indo mais a fundo em outras fotos (antes escondidas). Essas, escondidas, ficam nesse “mundo secreto” pois seriam “segredos” aos não iniciados. Essa “navegação” pelas sombras é hipnótica em uma das interatividades incríveis do museu. Do francês: incrivelé.

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Espaço Carybé das Artes

No forte de São Diogo (não tenho noção de distância, mas é coisa de 3 minutos caminhando, é só atravessar a praia) é o espaço Carybé das Artes. Lindo, novo, interativo, um dos poucos museus que senti uma tinha total preparação para receber crianças (muitas brincadeiras para ir a fundo na obra). Enfim, a construção em si já é uma obra de arte das mais belas. Cada janela da fortaleza pintava um quadro (“impressionista tropicallll allll”). Superbacana.

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Palacete das Artes Rodin Bahia

Museu liiiiiiindo de morrer, um palacete no meio da cidade, um oásis em meio a uma Salvador de prédios mega modernosos, Dubailescos. Foi todo restaurado e adaptado com salas de exposição gigantes. Dei azar que não tinha nenhuma exposição bacanuda. Mas tudo bem, pois só de estar por aquelas bandas já estava valendo. No Museu Rodin tem um café chamado Solar Café (uma das dicas imperdíveis da minha amiga) que é uma gracinha e tem vários sanduíches transados tipo salmão e alguma coisa fina (minha mãe usa o adjetivo transado e para algumas explicações só usando-o mesmo).

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Museu de Arte Moderna

Aqui é que o bicho pega, minha preta. Atenção para janela histórica que o Google nos dá:

“Com uma arquitetura histórica em plena zona urbana, o museu possui casa-grande, capela, fábrica, senzala, aqueduto, chafariz e cais de desembarque. A construção marcou a história cultural baiana e transformou-se em um símbolo de opulência da arquitetura colonial no século XVIII.

No início da década de 60, o prédio foi adaptado para o uso museológico pela arquiteta Lina Bo Bardi. A partir da década de 90, o local foi reestruturado e recebeu novos acréscimos contemporâneos e equipamentos de tecnologia avançada”.

Agora uma imagem que o Google também nos proporciona:

Essas informações e uma exposição cheia de ternura do artista Efrain Almeida. Não conhecia o trabalho do Efrain e fiquei um tanto quanto tocada por tamanho lirismo. A obra dele tem total relação com o espaço que está sendo exposto, ele usa das paredes como suporte da obra (meio reduntante, mas a parede se torna parte do trabalho). Além de toda essa lindeza delicada o museu conta com um acervo super coxudo do modernismo brasileiro tipo tô andando e opa um PORTINARI. E como se já não bastasse tudo isso: muitas janelas com vistas que faziam meu coração criar ranhuras e respirar amiúde. Uma luz natural que deixava a natureza como curadora. E uma utopia que corria pelo ar a cada caminhada cambaleante de toda criança que parava para olhar uma obra. Museu cheio me emociona de uma maneira que vish.

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Ok. Tá de bom tamanho. Mas, aí o sol cai. E começam os primeiros acordes do JAM NO MAM http://www.jamnomam.com.br/. Todo sábado ao cair do sol artistas se juntam para fazer um som no Solar do Unhão (onde fica o museu). O pátio do local fica cheio de gente, gente de todo tipo, de toda idade, muitos bebês de colo se encantando desde cedo por aquele balanço. E lá tive a certeza que se eu parir, minha gente, meu filho vai se criar é nesse tipo de ambiente. E, não que eu já não estivesse apaixonada por Salvador, RETRATO EM BRANCO E PRETO nesse cair de tarde acabou comigo.

 

Bahia, RETRATO EM BRANCO E PRETO no pôr do sol do Museu de Arte Moderna já é sacanagem.

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E não menos importante essa camiseta do baterista:

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Mercado Modelo até a Fundação Casa de Jorge Amado

Acordei cedinho, fui até o Mercado Modelo comprei colares de búzios que não sou paiaça, camarão que trouxe na mala e uma ou outra coisinha. O Mercado é bem legal, mas um pouco para turista ver (ui, já me sentindo em casa).

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De lá peguei o elevador Lacerda (elevador que une a Cidade Baixa – que me faz lembrar do maravilhoso filme com o Wagner Moura e Alice Braga VIVA O CINEMA NACIONAL aloka – a Cidade Alta) e pá… cheguei no Pelô. E a sensação que dá chegar no Pelô vou dizer que não condiz com o que senti com muita cidade da Europa (ui, viajada). Que todo gringo que estava por ali à minha volta tenha sentido aquela energia que senti. Não sei explicar bem. Mas, é tipo gente que ama muito alguma coisa e não sabe explicar o porquê. É coisa que dá. E muito amor é sempre meio triste. O Pelô é meio triste também. Daí que chorei um pouquinho na Fundação Casa de Jorge Amado (aqui leia-se com a intonação ca-sa-di-jo-ge-a-ma-do na voz do Caê). O museu em si não é assim ó uma coisa bem pensada. Mas para quem é fã tem uma bagagem poética ali.

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Também no Pelô visitei uma Igreja chamada Nossa Senhora do Rosário dos Pretos. Criada por uma irmandade de negros escravos (e alforriados) devotos de Nossa Senhora do Rosário. A Igreja é lindíssima, mas a energia do lugar me tomou de assombro. Nos fundos da Igreja há um cemitério de escravos e eles usavam nos cultos muitas das mesmas músicas do Candomblé. Em tempos de intolerância religiosa em que a gente vive dói um pouco saber que é difícil aos olhos do preconceito respeitar e transitar entre diferentes culturas. E é belíssimo ver gente que acreditou que fosse possível (mesmo que no século passado).

Alguns frame-coração do Pelô:

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Pelô 1/2

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O MOMENTO ACARAJÉ:

Estava conversando com um pessoal e o primeiro me disse “come o acarajé da Cira”. O outro disse “come o da Regina”. E outro disse “come o da Nana”. E EU GRITEI GENTE PARA TUDO QUE EU TENHO UMA CANÇÃO MAESTRO:

E neste momento abriu-se um clarão. Enfim, comi o da Regina, no Rio Vermelho. Maravilhoso como tudo que é frito no mundo. Fritura e camarão não tem como dar errado. Uma coisa que eu ignorantemente (que vergonha e me perdoem se é algo já sabido por todos) não sabia é: por ser uma comida de ritual de Iansã é considerado pelas baianas uma comida “sagrada” e só pode ser preparada por filhos de santo. O que dá todo um romantismo para a coisa, né? Não é um vai lá e faz. Enfim, Regina, é a dica que fica.

Dica GLAMOUR (e também Garagem)

A The Finds foi uma dica muito quente. A loja fica no Rio Vermelho e vou tentar explicar em imagens:

Acho que basta, né?

Bahia, que aula de tudo. Hoje, aqui do meu sofá de onde lembro de ti e te jogo esse charme todo vejo que faz sentido Vinicius ter ido e ficado. Não demoro. E se bobear vou e fico.

 

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Seis filmes para ver (e se surpreender!) no Netflix quando você não espera nada

Pesquisas apontam que 9 em cada 10 pessoas ficam horas navegando no Netflix até escolherem o que querem assistir. Talvez elas acabem não decidindo. Desistindo. Selecionando um filme que já viram mil vezes. Aquelas comédias românticas que a gente adora tipo Como Perder um Homem em 10 Dias. Ou um que acabou de passar na TV. Pode ser 11, 12, 13, 20 Homens e Um Segredo.

Não sei se existem os estudos de verdade, mas isso acontece comigo TODA VEZ QUE EU ABRO O NETFLIX. O papo é “ahh dez da noite vamos ver um filminho” e corta, cena 2, uma da manhã e eu rolando aquela lista. Gente, que loucura é essa? Para sempre acabar no limbo do Netflix, vendo coisas repetidas (e pulando o tempo, sou a rainha de fazer isso). Assim:

O fato é que de vez em quando acabo me jogando em algum título que não conheço. E, sim, isso nem sempre é bom. Mas quando a magia acontece, ah é maravilhoso, vai. Não esperar nada por um filme, clicar muito aleatoriamente e ter esse MATCH? Detalhe: não são filmes que alguém indicou, ou que eu li a crítica, não, não, mas aqueles que aperto o play pelo ator, pela sinopse de três linhas, ou porque deu vontade.

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Esse foi o primeiro da série “random que deu caldo”. Cliquei porque adorei essa imagem:

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E porque simpatizo com o Jon Favreau (mesmo que na época não lembrasse de outros filmes do ator). Sem entregar muito, acontece que ele é um chef descolado, mas acaba sendo demitido. Tem toda uma função com internet – como as redes sociais (e ALÔ TWITTER que eu amo) podem ajudar ou detonar uma carreira?

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E, minha coisa favorita dos tempos nos filmes: a MARAVILHOSA VOLTA POR CIMA. ♥ De formas nada tradicionais, mas valendo muito. Tem Scarlett Johansson, tem Robert Downey Jr., tem Dustin Hoffman e um monte de gente. Bom para assistir com a família, uma coisa leve, meio Pequena Miss Sunshine. Ah, e importantíssimo: com comida por perto. Porque tem cenas assim:

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#2 Conquistas perigosas

Não vou agradar todo mundo com essa indicação, masss esse filme me pegou. E não é só porque tem o Shia (suspiro) LaBeouf, ok?

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A história de Charlie Countryman começa quando ele decide abandonar a rotina e viajar pelo leste Europeu. Em Budapeste, se apaixona por uma menina que tem envolvimento com uma gangue. Cheio de momentinhos assim:

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As imagens parecem até de um clipe, e a trilha sonora com The XX, Moby e mais só valorizam isso. Ainda tem crimes, drogas, tretas e o Mads Mikkelsen que me dá medo.

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Minha irmã e meu namorado acharam louco demais, mas recomendo para quem gosta de filmes sem uma narrativa linear, que são realmente uma viagem, meio sonho, para ver num sábado de noite e ficar pirando depois. 😉

#3 Ashtma

Esse foi o que me deu a ideia para esse post. Por que dei play? Porque era com a Jessica Jones (aka Krysten Ritter) e um cara gato. Aqui preciso confessar uma coisa: eu sou fã de filmes sobre desajustados, pessoas que não dão certo na vida, carregam frustrações, e quando tem casal no meio, melhor ainda. Sabe Girls? Sabe Frances Ha? Então, é por aí. Sintam pela “capa”:

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Para quem não abre mão do resuminho: Gus é um desses “sem rumo”, viciado, e o destino faz com que ele leve a tatuadora Ruby para o interior. Acabam em uma comunidade neo-hippie. E ele descobrindo um amor, mas também sufocado pela asma e pela vida, sempre sufocado, tentando escapar dele mesmo. É sobre a nossa, a nova geração (daquele jeitinho cool sem esforço por serem artistas indies de Nova York).

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Detalhe importante: tem uma cena que começa com uma voz cantando tempo a gente tem, quanto a gente dá, e aquele violão, no flow, delicinha, e SIM, é o Amarante com o Little Joy e Evaporar. Aí vem o Devendra, Tame Impala, The Kills, The Strokes, e a gente já entrega os pontos, né? Porque somos assim fáceis. Botem reparo na trilha pelo YouTube ou pelo Spotify. Eeee tem duas instrumentais do Martial Solal, que criou para Jean-Luc Godard em Acossado, também conhecido como O FILME DA MINHA VIDA. Não acredito em coincidências, pero que las hay… 

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Bacana de ver entre amigos, ou de casal, mas pensando nesse momento de juventude.

#4 Se enlouquecer, não se apaixone

É o seguinte: quando eu fazia o Go, Writers, melhor curso de escrita criativa de todos os tempos, a Cris Lisbôa, dona da bagaça, recomendou. E alertou: esse título não tem muito a ver, mas assistam. Uns três anos passaram, estava eu mergulhada nos “independent movies” do Netflix e leio: It’s Kind of a Funny Story. Só fiz o link depois mas, caras, é maravilhoso! Tive uma crise de choro com meu amigo nessa cena, porque é uma sensação de EU QUERO, EU POSSO, EU VOU CONSEGUIR o tempo inteiro, uma redenção, uma entrega.

Mesmo com o protagonista tão novinho, rolou uma identificação: ele, estressado com a adolescência e assustado por ter ideias suicidas, decide se internar em uma clínica psiquiátrica. E o resto, bá, o resto é o resto.

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#5 Um Santo Vizinho

Eu não dava nada por esse filme. Primeiro porque olha, eu adoro o Bill Murray, mas tinha acabado de ver um com tema natalino dele e achado chato, chato. Segundo, preciso admitir, não consigo achar graça da Melissa McCarthy desde os tempos da Sookie de Gilmore Girls (ficava só torcendo pra parte dela ser rápida). E terceiro porque o papo de divórcio, adolescente traumatizado, vizinho veterano de guerra, amizade inesperada, argh, nada me despertava vontade. Mas me rendi. E É A COISA MAIS AMADAAAA. Juro para vocês, quem gosta daquelas histórias de chorar de alegria e de renovar a esperança na humanidade, pode apostar.

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A relação deles é maravilhosa porque ele é ranzinza num nível muuuuito além, o que deixa tudo mais interessante e, apesar de previsível, é também muito sensível. Sabe Um Grande Garoto, com o Hugh Grant? É essa a vibe ♥

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Fora que tem esse gatíneo lindíneo:

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#6 Ferrugem e Osso

Assisti ontem. Acho a Marion Cotillard maravilhosa e tenho uma queda por filmes franceses – fiz meu trabalho de conclusão da faculdade sobre a nouvelle vagueÉ um filme pesado, então a companhia e a data precisam ser escolhidos com carinho. E nem digo isso pelas surpresas que acontecem (confia e vai sem ler nada, como eu fiz!), mas porque todos os sentimentos e a intensidade da história vão aparecendo no corpo dos protagonistas.

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Resumindo bem superficialmente, é sobre um casal que se conhece e um fato muda a relação deles para sempre. E mais não conto.

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Não me fez chorar, parece que a dor acontece de um jeito tão natural que pouco afeta os personagens, criando um distanciamento, uma falta de emoção, uma “crueza”. Mas não pensem que por não rolar essa imersão, não é tão impactante. Porque é isso que bate. E isso sem falar que:

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Né?

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31 looks e vários jeitos de usar skinny scarf

Não tem jeito: quando uma amiga começa a falar sobre uma tendência, a outra sem saber aparece usando e a terceira fica louca, isso vai passando como uma febre, escuta só porque que vai bombar. Nem que seja entre a gente, vai. Já ouviram falar da regra de três? Não a da matemática, mas a da moda: quando três celebridades aparecem usando uma peça, é melhor ficar de olho. Já eu gosto de aplicar nas musas da vida real, aquele bom e velho grupo das minas do Whats. E foi a skinny scarf (cachecol // lenço // paninho) que fez a cabeça delas nos últimos dias.

Mas eis que alguém levanta a mão e diz: eiei comprei, mas não sei muito como usar. Pois bem, esse post é para todas as amigas, e amigas de amigas, e essa corrente linda que a gente cria todos os dias.

Começando do começo, não da origem dos paninhos, mas de quando o assunto entrou em pauta. Em março de 2015, foi a Chloé que lançou esse look na passarela de inverno:

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Tem casaco? Tem. Vestido? Tambêm. Camisa? Ô. E repetiu a dose neste ano:

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Mas a gente vive a rua, né, Brasil? Pegar ônibus, caminhar o dia inteiro, sair de casa de manhã, voltar só de noite, frequentar xxxx ambientes diferentes, estar em momentos que vão desde a reunião importante até a fila do buffet.

O skinny scarf dá um toque sofisticado à la Chloé, é verdade, mas pode ser colocado em looks que acompanhem a gente nisso tudo. Não é maravilhoso poder fazer o que se quer com o que a moda chama de “tendência”? E o melhor: o nosso skinny scarf pode ser qualquer tecido da costureira, um lenço longo e fino, na cor que nos faz bem.

Separei em quatro categorias especialíssimas, vem ver:

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Foco no decote

Camisas, vestidos, casacos, o que vale aqui é um decote generoso e um tecido mais fluido. Aí é só enrolar no pescoço, dar um nó justinho, bem rente, e deixar as pontas soltas e juntinhas, criando uma linha alongada e valorizando esse “V”.

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E para quem se pergunta: mas pode usar essa amarração sem decote? Pode sim, pode tudo, e fica um amor:

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Extra, extra – ou o look nº32, que é de casa, da Lanna, e é de hoje:

32 jeitos de usar skinny scarf na vida real (os outros 31 tão lá no blog — link na bio) 🎀🎀🎀

Uma foto publicada por Glamour de Garagem (@glamourdegaragem) em

Dia a dia chique

Aqui não tem erro: enrolar a scarf como fazemos com mantas e cachecóis, dando uma volta no pescoço, e deixar as pontas soltas, uma de cada lado. Por cima de camisas, camisetas, blusinhas, percorrendo as barras dos casacos, fica a gosto do cliente. 😉

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O nó de francesa

É enroladinho no pescoço, mas com um nó nas pontas soltas, para baixo no peito, fazendo com que o lenço vire uma gravatinha descolada. Sabe aquele jeitinho de rock’n’roll all night, Kate Moss na balada, intencionalmente despretensioso? Então.

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Turtleneck 2.0

É tipo a gola alta, só que não. É tipo uma choker, só que não também. O cachecol fininho dá o efeito do pescoço coberto, mas deixe pele à mostra: é só esconder as pontas na nuca.  E aí vale tudo. Gosto especialmente dos looks que deixam os ombros de fora, criando essa ~ilusão.

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